quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Genocídio no Brasil

  Brasil, um país genocida  

                                                

Texto 1: Brasil, um país genocida

Enviado por Lilian Milena, qua, 13/08/2014 - 13:44
Autor:  Lilian Milena

“Recebi um telefonema de um policial da família às oito horas da manhã pedindo para avisar para as pessoas de bem, e não para lixo, que quem estivesse no meio da rua era inimigo da polícia. Então eu saí dando esse aviso para as outras famílias, só não imaginava que isso sobrecairia sobre mim. Quando foi onze e trinta da noite meu filho foi assassinado”.

O depoimento é de Débora Maria da Silva, fundadora e coordenadora do Mães de Maio, movimento formado por mulheres que perderam seus filhos durante o toque de recolher imposto pela polícia do Estado de São Paulo, em maio de 2006, quando ocorreram ataques aos agentes e equipamentos públicos provocados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), grupo do crime organizado nascido nas penitenciarias. Em apenas uma semana cerca de 600 pessoas foram assassinadas, todas com perfis muito semelhantes: jovens, negros ou pardos, moradoras de bairros da periferia.

No dia em que recebeu a ligação do policial, seu filho decidiu ir ao trabalho, mesmo tendo atestado médico por ter operado a boca. “Ele passou em casa, então avisei sobre o que o policial falou, mas ele respondeu ‘ó mãe, eu não devo nada para a polícia’. Ainda repetiu isso duas vezes e continuou: ‘só vim buscar a amoxicilina porque está tudo fechado”.

De noite, enquanto abastecia sua moto em um posto de gasolina, duas viaturas da polícia encostaram e perguntaram o que estava fazendo na rua. Sua resposta - “eu não devo nada para vocês” - foi também sua sentença de morte.

“Quando o meu filho falou isso eles começaram a espancá-lo. Deram chutes, murros no peito, tapa no rosto e disseram: “Você é um trabalhador até morrer. Morreu, você é um bandido”. Todas as informações que Débora conseguiu reunir para investigar as causas do assassinato de seu filho foram conseguidas por conta própria, a partir de depoimentos das pessoas que viram a ação policial. Seu filho foi morto pelas costas, com cinco tiros. Ela conta que a polícia fez apenas uma revista física e não olhou os documentos de quem nunca teve passagem em uma delegacia.

Ela descobriu também indícios fortes de que os mesmos policiais que ela acredita terem realizado a execução do seu filho, o socorreram e protocolaram o boletim de ocorrência. Não ouve exame balístico por falta de balas na cena do crime. Apenas uma ficou alojada na coluna cervical do rapaz e há dois anos Débora conseguiu que fizessem a exumação do cadáver para retirarem o projétil.

“O médico legista me chamou no Ministério Público Central e disse que em princípio era um projétil de calibre 38, que na época os policiais militares usavam. Achava que essa era uma esperança de investigação por parte do Ministério Público, mas acabou não dando em nada. O projétil está arrolando (sic) no inquérito do meu menino, em um saco plástico, porque não tem a arma para fazer exame balístico”, e assim o caso foi arquivado. Débora participou do programa Brasilianas.org (TV Brasil) sobre a responsabilidade direta e por omissão do Estado pelo elevado número de mortes registrado todos os anos.

O debate também contou com a participação do jurista Luiz Flávio Gomes, defensor da proposta de que o Brasil deve ser enquadrado como um Estado genocida. “Quando você tem um conjunto de homicídios dentro de uma estrutura de poder, que neste caso é o Estado, claro que é um genocídio. Pois o que é um genocídio? Significa tentar eliminar uma raça, uma cor, uma etnia, uma religião ou matar gente de determinada categoria socioeconômica”, completa.

O Brasil é um país violento. Dados publicados do último Mapa da Violência, neste ano, apontam que de 1980 até 2012 o volume de assassinatos cresceu 148,5%. De 2003 até 2012, 556 mil homicídios aconteceram no país, somente em 2012 mais de 56 mil pessoas foram mortas por outras, contabilizando algo em torno de153 assassinatos por dia, números bem superiores a qualquer outro registrado em zonas de guerra pelo mundo. A título de comparação, em quase um mês de conflito entre Israel e Palestina, cerca de 2 mil pessoas foram mortas na Faixa de Gaza.

“Muitos dos homicídios não tem nada a ver com o Estado. É marido que mata mulher, vizinho que mata vizinho. Mas boa parcela é de responsabilidade direta do Estado”, explica. Entre 2005 e 2009, a polícia militar de São Paulo matou mais do que todos os agentes de segurança dos Estados Unidos. Segundo relatório divulgado pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo em 2011, 2.045 pessoas foram mortas pela PM no período. Já um relatório do FBI, publicado no mesmo ano, apontou 1.915 mortes nos Estados Unidos em confronto com as forças policiais, entre 2005 e 2009.

Flávio Gomes ressalta que é importante se estabelecer que os policiais militares também são vítimas do Estado. “Esse genocídio não vitimiza apenas os jovens da periferia, como também muitos jovens policiais que, destreinados, são mandados para as ruas sem nenhuma noção do que é direitos humanos”, analisa. Ele critica declarações públicas de representantes de governo já ditas à imprensa como “quem não reagiu está vivo”, “bandido bom é bandido morto” e lembrou que o Estado do Rio de Janeiro tem registrado na sua história recente a premiação de policiais que mais realizaram assassinatos.

O jurista compreende que o homicídio no Brasil é um problema sociológico, além de um problema jurídico. “Isso [o assassinato em massa de pessoas com o mesmo perfil], é da história do Brasil, da cúpula do poder que computa que muitos são extermináveis, sem nenhum valor”, lembrando que o direito romano já trazia o termo homo sacer para designar a figura de uma pessoa excluída de todos os direitos civis, que pode ser morta sem a impunidade do seu algoz. No caso brasileiro, o homo sacer são jovens, negros e moradores da periferia.

Ainda, segundo o Mapa da Violência, ocorreu uma queda anual do número de pessoas brancas assassinadas de 19.846 em 2002 para 14.928 em 2012, o que representa uma diminuição de 24,8%. Por outro lado, entre os negros as vítimas aumentaram de 29.656 para 41.127 durante esses mesmos dez anos, um crescimento de 38,7%.

“É inaceitável que paguemos a bala que mata os nossos filhos. É como se fosse voltando no tempo dos senhores fidalgos (sic). Temos o capitão do mato que é o policial que só mudou de corpo, que tem a lei e o dinheiro ao seu favor”, diz Débora.

O genocídio praticado diariamente no país tem todas as características de um crime contra a humanidade, pondera Flávio Gomes. A Comissão Internacional de Direitos Humanos, que já julgou Bolívia e Peru por casos semelhantes, é a instituição que poderia culpar publicamente o Brasil e trazer justiça aos familiares de vítimas executadas com a anuência do Estado, que já foi condenado, em 2010, pela morte de 62 guerrilheiros no conflito do Araguaia, durante a Ditadura Militar.

Programa Brasilianas.org - O genocídio brasileiro

Texto 2: A hora da reação nacional contra um Estado genocida

As conclusões do jurista Luiz Flávio Gomes são da maior relevância. Ao defender a tese de que o Estado brasileiro é genocida, Gomes abre uma discussão que poderá ser a saída para uma escalada sem paralelo da violência institucional e popular.
É hora do Judiciário se firmar como um poder civilizatório e montar uma frente contra os desmandos..
Não dá mais para procrastinar. Em todos os estados há uma escalada de violência inédita contra pobres, negros, índios, um estímulo às execuções por parte da polícia e ao linchamento por parte da população..
E ninguém é responsabilizado. Quando ocorre alguma punição é na ponta da cadeia do genocídio: o soldado que deu o tiro final. Os maiores responsáveis – autoridades que estimulam a violência ou se eximem de combate-la – permanecem em posição cômoda, graças à cumplicidade institucional brasileira.
Esta semana pela primeira vez houve uma condenação em São Paulo pelos crimes de maio - o massacre de mais de 600 jovens de periferia, em represália pelos ataques do PCC.
Foi o mais vergonhoso episódio da história da cidade, um massacre coordenado que só foi interrompido quando um grupo de procuradores federais e médicos do Conselho Regional de Medicina correram ao Instituto Médico Legal (IML) para garantir o laudo – prova inicial para os futuros inquéritos. Só assim cessou a matança.
Foram mais de 600 assassinados, na maioria jovens de periferia, maioria negros, óbvio, grande parte sequer com antecedentes criminais.
Condenou-se UM soldado à prisão. E os chefes? E a Secretaria se Segurança, que permitiu que se desligasse a comunicação dos rádios da polícia para não deixar rastros? E o Ministério Público Estadual que não deu seguimento a um inquérito sequer? No caso dos índios, como explicar a ausência criminosa de mediação por parte do Ministério da Justiça? Como tolerar as mortes frequentes nas UPPs cariocas? Não se trata de fenômenos isolados, mas de uma escalada de violência à altura dos piores períodos ditatoriais.
É hora da Justiça se manifestar e do Ministério Público começar a agir:
1.     Quando o Ministro da Justiça abandona a mediação de conflitos indígenas, em áreas conflagradas, tem que ser responsabilizado por omissão dolosa pelos crimes que ocorrerem devido à sua ausência. E se nada for feito, a responsabilização tem que chegar ao chefe do Ministro: a presidente.
2.     Quando o Secretário de Segurança de São Paulo endossa violência policial, tem que ser responsabilizado por incitação à violência. Assim como o governador do Estado, quando diz que só morreram os que resistiram. Quando o Secretário muda a cúpula da PM tem que se saber a razão: se a substituição implicar em mais violência, que seja responsabilizado.
3.     Quando um comentarista em veículo de larga difusão estimula o linchamento, tem que ser responsabilizado.
4.     Quando aumenta o número de mortes pela PM, os comandantes da força, respectivo Secretário de Segurança e governador têm que ser responsabilizados.
E todas essas denúncias precisam ser levadas às cortes internacionais para uma chacoalhada que permita a este país recuperar um mínimo do respeito aos direitos individuais e coletivos.
O Estado brasileiro é genocida?
02/07/2014 por Luiz Flávio Gomes
“Fingi de morto, conta jovem que sobreviveu a ataque de PMs no Rio; M., 15 anos, levou tiros de fuzil e pistola e foi socorrido numa igreja; outro garoto, de 14 anos, não resistiu e morreu; dois cabos da PM foram presos; fatos ocorreram em 11/6/14, num matagal do morro do Sumaré (RJ), para onde os menores foram levados; os meninos foram baleados 4 vezes; os comerciantes da região disseram que o local é ponto de desova (ocultação de cadáveres produzidos pela PM); Aline dos Santos, tia do garoto morto, já perdera o marido e um tio assassinados; o pai reconheceu o garoto abandonado no matagal e disse: “se tivesse feito algo errado, deveria ser levado para a delegacia, não assassinado”; M. disse que estava tranquilo nas mãos dos policiais, até chegar ao morro do Sumaré; “ali vimos que iam fazer maldade” (Folha 21/6/14: C4). No Brasil a polícia executa sumariamente os jovens negros, pardos ou brancos pobres (sobretudo da periferia) e isso é feito cotidianamente. Também diariamente um ou mais de um policial é assassinado. Faz parte do pacote genocida a morte de policiais. Como não são fatos isolados, sim, corriqueiros, frequentes, parece não haver nenhuma dúvida de que as execuções sumárias dos agentes do Estado fazem parte de uma política pública genocida.
A tese que estamos desenvolvendo é esta: o Estado brasileiro é genocida e faz isso por ação e omissão. Um dia tem que ser responsabilizado por esse genocídio massivo nos tribunais internacionais. Espera-se pela mobilização das entidades de defesa dos direitos humanos de todos (das vítimas dos policiais bem como dos policiais-vítimas). Basta que se compreenda o verdadeiro conceito de genocídio (que é um crime contra a humanidade e imprescritível).
Morrison, com seu livro Criminología, civilización y nuevo orden mundial (Barcelona: Anthropos, 2012), não apenas reivindica uma nova criminologia, de natureza global, como sustenta a necessidade de um novo conceito de genocídio (tendo estudado no livro incontáveis massacres humanos, desde 1885). De minha parte acredito que o melhor caminho epistemológico seria reconhecer como genocídio todos os massacres massivos contra qualquer agrupamento humano por razões de raça (assassinatos massivos dos afrodescendentes, por exemplo), cor (massacre dos jovens negros e pardos pobres), etnia (massacre dos índios), religiãosexo (massacre dos homossexuais), origemsocioeconômicas(massacre dos pobres), machistas (massacre das mulheres em razão do gênero) etc. Zaffaroni (na apresentação do livro citado, p. XV e ss.) sublinha que deveríamos (pelo menos) prestar mais atenção e tentar estancar os massacres (genocidas) provocados pelo Estado.
Particular interesse científico apresenta, nesse novo contexto epistemológico, o genocídio no Estado brasileiro. Não somente por razões históricas (ele se formou dessa maneira, massacrando massivamente os índios e os negros). Entendido de forma ampla, o novo conceito de genocídio permite o seu reconhecimento no seio da política pública de segurança instituída no nosso país (desde 1822). Trucida-se diariamente não apenas os jovens negros, pardos e brancos pobres (das periferias), como também os próprios policiais (em 2012, somente no Estado de São Paulo, mais de 100 deles foram mortos em razão das suas atividades). Anualmente, milhares são as vítimas dos policiais e centenas são os policiais-vítimas.
São incontáveis as implicações jurídicas desse novo enfoque, visto que o crime de genocídio, repita-se, é crime contra a humanidade e imprescritível. Mais ainda: se se trata de crime contra a humanidade, o Brasil poderá ser demandado nas Cortes Internacionais por esses crimes jushumanitários. Ademais: se o crime é imprescritível, também o seria a reparação desses danos (consoante a doutrina de Zaffaroni, na apresentação do livro acima citado, p. XV).
Uma das maiores novidades criminológicas deste novo século consiste na solidificação da tentativa de se ampliar (criminologicamente) o conceito de genocídio, classicamente tido como um ataque a um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, com o escopo primordial de dizimá-lo. Dessa tarefa se encarregou o neozelandês (Wayne Morrison), professor da Escola de Direito Queen Mary (Universidade de Londres), que já desponta como um dos criminólogos mais importantes do século XXI, em razão da sua criteriosa e histórica pesquisa sobre os incontáveis genocídios (milhões de cadáveres) praticados desde o final do século XIX. Um detalhe sumamente relevante: de todos esses horrendos genocídios não cuidou a criminologia desenvolvida nos países centrais (Europa, EUA etc.). Que faziam a criminologia e o direito penal durante todos esses massacres? Nenhuma linha sobre eles. É hora de a criminologia (burocrática) deixar de cuidar exclusivamente dos homicídios comuns e roubos (Zaffaroni). O mundo dos genocídios massivos deve gozar de absoluta prioridade científica e política frente ao ladrão de galinha!
Do já famoso livro de Morrison não constam detalhes do genocídio brasileiro, mas ele existe. Mais de um milhão de pessoas foram assassinadas no Brasil, de 1980 a 2012.

Uma muito relevante parcela dessas mortes tem como responsável direto o Estado brasileiro, que protagoniza (por meio dos seus agentes) uma das políticas racistas e genocidas mais cruéis do planeta. Por exemplo: em julho de 1993 alguns PMs mataram oito crianças que dormiam em marquises próximas da Igreja da Candelária, no RJ. Fatos como esse se tornaram diários, o que comprova que é uma política de Estado, que atua para matar e, normalmente, se omite no apurar e punir os executores sumários.

domingo, 2 de novembro de 2014

Luta contra o racismo

Ìjà mọ́ ìṣẹlẹ́yàmẹ̀yà: Iré-ijé láìlógo kan.
Luta contra o racismo: Uma corrida inglória.



Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).

Ìjà = luta, conflito, briga.
Mọ́ = contra.
Ìṣẹlẹ́yàmẹ̀yà = racismo.
Aláìfẹ́irúẹ̀mọẹnìkéjì = racista.
Láìlógo = sem glórias, inglória, infeliz.
Iré-ijé = corrida, raça, competição.
Kan = um, uma.



Super 066
marco
1993

Para o filósofo e cientista político francês, apesar de todos os esforços para combater o mito das raças, a ciência está fadada a chegar eternamente em segundo lugar na corrida contra o preconceito.
Entre os cientistas, ganha mais força, a cada dia, a tese de que a humanidade tem uma origem única e o conceito de raça simplesmente não existe. Mas o racismo, teimosamente, insiste em sobreviver. Pierre-André Taguieff, filósofo e cientista político do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas), é considerado um dos homens mais habilitados atualmente, na França, a falar sobre esse fenômeno. Aos 45 anos, cinco livros publicados sobre o assunto, ele trabalha em Paris, no próprio apartamento, totalmente tomado por livros, recortes, jornais e revistas. “Gosto de trabalhar à moda antiga”, responde a qualquer um que tenta, em vão, descobrir onde se esconde seu computador. Da sala, o mar de papéis acabou transbordando, literalmente, para os demais cômodos. Até mesmo a cozinha, onde mesa e cadeiras são apenas silhuetas por trás das pilhas de documentos. A aparente desorganização, no entanto, não interfere na lucidez de suas análises. O problema do preconceito é infinitamente mais complicado do que se imagina, como se aprende em seu livro Face ao Racismo, de 1989. “Lutar contra o racismo, para citar uma alegoria do filósofo americano Rudolf Carnap (1891-1970), é como tentar consertar um barco que navega no oceano agitado por uma tempestade.” Nesta entrevista, Taguieff mostra de que maneira mudaram as manifestações racistas através do tempo, e explica por que é tão difícil banir o preconceito.
 
 
SUPER — Há cerca de cinqüenta anos, cientistas de todas as áreas se esforçam, com sucesso, para provar que o conceito de raça nem sequer existe. Como é possível que a ciência não consiga banir o racismo?
TAGUIEFF — O lado positivo do trabalho dos cientistas, após a II Guerra Mundial, foi universalizar os argumentos capazes de abolir todas as velhas teorias de raça. Mas muitos consideraram que, eliminando a palavra raça, o racismo seria suprimido. O problema é que raça não é apenas um conceito. É também uma realidade simbólica, um termo da linguagem popular que se identifica com imagens reconhecíveis, como a cor da pele ou o aspecto dos cabelos. Enquanto a percepção comum não pára de reelaborar a noção de raça, os cientistas passam seu tempo a dizer que esta noção é ilusória ou simplesmente não existe. Isso não funciona, não impede que a idéia de raça seja sempre reformulada pelo senso comum.
 
SUPER — Por que é tão difícil lutar contra os racistas?
TAGUIEFF — É mais fácil afirmar algo falso do que demonstrar que a afirmação é falsa. Isso demanda uma energia intelectual superior. O anti-racista está sempre atrás do demagogo para varrer seus erros. Mas sempre tarde demais. A dificuldade do anti-racismo é que se gasta esta energia toda para desmontar uma teoria demagógica, do tipo “os imigrantes são culpados de tudo”. Quando se consegue, o demagogo já está formulando um outro discurso, com as mesmas palavras de antes, só que um pouco modificadas e idéias deturpadas.
 
SUPER — E qual seria, hoje, a nova faceta da idéia de raça?
TAGUIEFF — O racismo foi redefinido sem que se tenham usado noções biológicas ou mesmo de desigualdade, comuns principalmente durante o apogeu do nazismo. Hoje, existe o que eu chamo de racismo cultural ou diferencialista. Cultural porque não se fala em termos de Biologia ou Genética, e sim, de etnias e culturas. Diferencialista porque não coloca estas culturas numa escala hierárquica, como era o caso para as raças “branca”, “negra” e “amarela”. Diz-se somente “existem culturas, homens que fazem parte dessas culturas e que não podem viver fora delas. Cada indivíduo é de uma cultura e de uma só — ele está limitado a ela”. Esse tipo de idéia está mais próximo da essência do racismo do que a própria teoria da desigualdade das raças, que é, paradoxalmente, menos radical. O racismo biológico supõe que existe um termo comum entre as diferentes raças, pois elas podem ser comparadas. Os que eu chamo de diferencialistas nem sequer aceitam comparação. Não existe nem porta ou ponte entre as diferenças culturais. Elas são entidades voltadas para si mesmas, uma fatalidade à qual não se pode fugir.
 
SUPER — Qual é, então, a essência do racismo?
TAGUIEFF — A essência do pensamento racista é que as raças são quase espécies, sem ligação entre si. Esta visão é muito difícil de sustentar em termos biológicos, pois existe interfecundidade entre as populações humanas. Os teóricos do racismo biológico se ajeitaram, no entanto, para rebater da seguinte forma: de fato, existe interfecundidade, mas o fruto desta mistura são seres caóticos. Um mestiço não é nem de uma raça nem de outra, nem de uma cultura nem de outra. A essência do racismo é o que chamo de mixofobia, um neologismo que criei para designar a fobia da mistura. Este é um dos raros mitos do mundo moderno: o mito da pureza.
 
SUPER — E como se luta eficazmente contra um mito?
TAGUIEFF — Pode-se, sem dúvida, lutar contra a pseudociência com a ciência. Sem problemas. Mas as teorias anti-racistas não estão funcionando porque elas utilizaram argumentos da “sabedoria”. Estes argumentos são levados em consideração unicamente no mundo em que eles são considerados sérios. Cada um vive, no entanto, em vários mundos: um científico, outro da experiência vivida, etc. No mundo da razão, cada um pode estar de acordo com o anti-racismo científico. Mas no mundo da experiência vivida, existe sempre aquele “mas”: “Você tem razão, mas você não o conhece. Sou eu que vivo lado a lado com alguém diferente, que come outra comida, ouve música exótica ou cheira mal”. Pode-se também lutar contra um mito com outro mito, como aconteceu a partir da década passada. A tática anti-racista foi fazer a apologia do mestiço: ele é mais bonito e mais “rico” que os outros, pois tem várias origens raciais e culturais. Um absurdo, pois voltamos ingenuamente ao racismo biológico. A crise anti-racista, a meu ver, se deve a estes dois fatores: quando o discurso é científico, ele passa ao largo do problema; quando é simbólico, faz parte do mesmo campo de idéias.
 
SUPER — Essa debilidade da ciência é um dos motivos da volta das manifestações racistas hoje em dia?
TAGUIEFF — São vários os motivos. Mas estamos vivendo hoje um fenômeno interessante para os sociólogos: o fim do pós-guerra, o fim dos efeitos do processo de Nuremberg e o fim do antifascismo, que leva a um envelhecimento do anti-racismo e do anti-fascismo. Também é o fim do mundo dividido em dois campos e, especificamente, do comunismo na Europa. No Leste Europeu, o comunismo deixou seqüelas, como as dificuldades econômicas, e elas são traduzidas em atos simples da humanidade. É a procura do bode ex-piatório de sempre. Além disso, toda etnia procura se constituir em nação. O comunismo congelou o curso natural deste processo e agora países que eram colchas de retalhos, como a Iugoslávia, têm de retomar o problema.
 
SUPER — Mas esse fenômeno não se restringe ao Leste Europeu.
TAGUIEFF — As manifestações racistas nos outros países da Europa e nos Estados Unidos têm razões e características diferentes. Na Alemanha os atos racistas não são acompanhados de uma teoria, enquanto, na França, uma verdadeira teoria neo-racista foi formulada a partir das diferenças culturais. Já nos Estados Unidos, a questão está ligada à decadência social. A França teoriza, a Alemanha pratica. Nos Estados Unidos, porém, a questão negra está integrada na realidade americana. Quer dizer, existe uma tradição organizada de autodefesa do afro-americano e uma ideologia de identidade chamada de negritude. O racismo branco se afronta com organizações racistas antibrancos, que pregam praticamente um apartheid.
 
SUPER — A volta do racismo na Europa significa a volta do nazismo?
TAGUIEFF — Nada disso. Os atos isolados dos neonazistas não têm quase nada a ver com o nazismo dos anos 30. Dão apenas uma folclorização. Se Hitler voltasse a viver, ele certamente consideraria os neonazistas e skinheads como delinqüentes vulgares e beberrões. Marginais que se fantasiam de nazistas, sem cultura sobre as teorias raciais e que jamais vão chegar ao poder.
 
SUPER — O homem é intrinsecamente preconceituoso?
TAGUIEFF — O racismo tem duas fontes: uma instintiva e outra histórica. A origem daquilo que chamamos racismo encontra-se enraizada no comportamento instintivo de preservação do território, da defesa deste território. É um comportamento primário, original. Mas não foi esta fonte que fomentou o racismo elaborado que conhecemos hoje. Este fenômeno data da modernidade ocidental, é histórico. O racismo elaborado não é instintivo, e sim, o fruto da sociedade em que vivemos, fruto da nossa história.

sábado, 1 de novembro de 2014

CLAMOR KAIOWA 1 - TEKOHA TAKUARA





Ilé-Ẹjọ́ Ìwàọ̀daràn Káríayé.  
Corte Penal Internacional.

Crime contra a humanidade



         No Mato Grosso do Sul, terroristas do agronegócio agridem nativos da etnia guarani e continuam impunes.  Para não chamá-los de genocidas, usei o termo terrorista por questão de ética. Eles têm apoio da justiça federal, da maioria dos deputados e senadores, do ministro da justiça, do governo federal, de neonazistas e de psicopatas. Esta parceria do governo federal com o agronegócio pode ser chamada de associação para o crime, ou melhor, para o genocídio de povos indígenas. 



       Crime contra a humanidade é um termo do direito internacional que descreve atos de perseguição, agressão ou assassinato contra um grupo de indivíduos, ou expurgos, assim como o genocídio, passíveis de julgamento por tribunais internacionais por caracterizarem a maior ofensa possível. 
      No Brasil, os responsáveis pelo genocídio da etnia guarani kaiowá são: juízes da justiça federal, fazendeiros do agronegócio, presidentes  da república, ministros da justiça, deputados e senadores. Quase todos eles poderiam ser presos, julgados e condenados por crimes contra a humanidade em tribunais internacionais.


Lẹ́tà kéjì ti àwùjọ Guaraní KAIOWÁ
2ª Carta da comunidade GUARANI-KAIOWÁ.

Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).

Lẹ́tà = carta.
kéjì = segundo.
Ti = de (indicando posse).
Àwùjọ = sociedade.
Guaraní = guaraní.
Ilé-Ẹjọ́ = corte.
Ìwàọ̀daràn = penal.
Káríayé = internacional



CARTA II DA COMUNIDADE GUARANI-KAIOWÁ.


Aty Guasu divulga 2ª Carta II de comunidade GUARANI-KAIOWÁ de TEKOHA PYELITO KUE, 2 anos depois da 1ª carta que repercutiu em outubro de 2012. GUARANI e KAIOWÁ comunicam à todas as sociedades nacionais e internacionais que irá resistir até morte pelas terras. Comunidades de KURUSU AMBA e PYELITO KUE estão começando a cavar buraco. É a resistência GUARANI e KAIOWÁ. Segue a Carta II

CARTA II DA COMUNIDADE GUARANI-KAIOWÁ DE PYELITO KUE/MBARAKAY-IGUATEMI-MS PARA O GOVERNO E JUSTIÇA DO BRASIL - Nós 570 GUARANI-KAIOWÁ (170 homens, 200 mulheres, 200 crianças) comunidades GUARANI-KAIOWÁ originárias de TEKOHA PYELITO KUE/MBRAKAY, juntamente com mais de 20.000 vinte mil GUARANI-KAIOWÁ dos acampamentos precários indígenas, pela segunda vez vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de ordem de nossa expulsão/despejo em curso expressada e anunciada pela Justiça Federal no Mato Grosso do Sul, de Tribunal Regional Federal de São Paulo, Supremo Tribunal Federal-Brasília-DF. No dia 25/10/2014, um dia antes da eleição, recebemos a informação de que Justiça Federal de Navirai-MS vai mandar atacar e despejar nós em meados de novembro de 2014. Assim, fica evidente para nós, mais uma vez que a ação da Justiça Federal continua gerando violências sem fim contra nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver nas nossas terras tradicionais PYELITO KUE/MBRAKAY. Assim, analisamos e entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal é parte da ação de GENOCÍDIO/EXTERMPINIO histórico de povo indígena do MS/Brasil. Queremos deixar claro ao Governo e Justiça Federal que estamos cercados de pistoleiros aqui, continuamos na mira de armas de fogo, para piorar tudo acabamos de receber a notícia que seremos expulso de nossa terra, que as nossas terras não serão demarcadas pelo governo e nem pela justiça, assim já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira e nem no Governo federal. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas??

Para qual Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal continua gerando e violências contra nós. Nós já avaliamos as nossas situações atuais e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, estamos passando fome, já morreram três indígenas em dois meses, assim não temos e nem teremos perspectiva de vida digna aqui no acampamento. Já são setes (07) morreram em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo PYELITO KUE/MBRAKAY. 

De fato, sabemos muito bem que no centro de nossos territórios tradicionais estão enterrados todos os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados, as terras são nossas. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, diante de não mais demarcação de nossas terras, diante de ordem de despejo anunciada pela justiça brasileira, mais uma vez pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar somente a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui em nossas terras. Em geral esse pedido é de todas as comunidades de acampamentos precários no MS onde as crianças estão passando fome e morrendo sem assistência. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção totais, além de comprar milhares caixões funerárias e enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos cadáveres. Esse é nosso pedido aos juízes federais do TRF, STF e ao governo Dilma reeleita. Já aguardamos pronta esta decisão da Justiça Federal e do governo, Assim, se não demarcar as nossas terras é para decretar a nossa morte coletiva GUARANI-KAIOWÁ de PYELITO KUE/MBARAKAY, KURUSU AMBA, APYKA’I, GUYRAROKA, TAKUARA, YPO’I, etc, mais de 20.000 (vinte mil) GUARANI-KAIOWÁ decidimos resistir até morte em nossas terras tradicionais e para enterrar-nos todos aqui em nossas terras. Visto que mais de 20 mil indígenas GUARANI-KAIOWÁ decidimos integralmente a não sairmos de nossas terras com vida e nem mortos e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo. Sabemos que seremos atacadas e expulsas de nossas terras pela justiça do Brasil, porém não vamos sair de nossas terras. Como o povo nativo/indígena histórico, decidimos definitivamente em resistir até a morte pelas nossas terras. Já pedimos ao governo e justiça brasileira que nem os nossos cadáveres serão retirados de nossas terras, é para enterrar em nossas terras. 

Entendemos que em 2014 e 2015 não temos outra opção e nem alternativa, RESISTIR é a nossa última decisão unânime diante de várias ordens de despejo autorizadas pela Justiça Federal de Navirai-MS, Justiça Federal de Ponta Porã, Justiça Federal de Dourados, Tribunal Federal em São Paulo, Supremo Tribunal Federal.
Atenciosamente,
Tekoha Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS, 30 de outubro de 2014
570 comunidade GUARANI-KAIOWÁ de PYELITO KUE/MBARAKAY 20.000 GUARANI-KAIOWÁ

GleiceOliveira Guarani-Kaiowá
Gleice Antonia de Oliveira
(((ATENÇÃO!!! URGENTE!!!))) Leiam, curtam e compartilhem, por favor.
Aty Guasu divulga 2ª Carta II de comunidade GUARANI-KAIOWÁ de TEKOHA PYELITO KUE, 2 anos depois da 1ª carta que repercutiu em outubro de 2012. GUARANI e KAIOWÁ comunicam à todas as sociedades nacionais e internacionais que irá resistir até morte pelas terras. Comunidades de KURUSU AMBA e PYELITO KUE estão começando a cavar buraco. É a resistência GUARANI e KAIOWÁ. Segue a Carta II

CARTA II DA COMUNIDADE GUARANI-KAIOWÁ DE PYELITO KUE/MBARAKAY-IGUATEMI-MS PARA O GOVERNO E JUSTIÇA DO BRASIL - Nós 570 GUARANI-KAIOWÁ (170 homens, 200 mulheres, 200 crianças) comunidades GUARANI-KAIOWÁ originárias de TEKOHA PYELITO KUE/MBRAKAY, juntamente com mais de 20.000 vinte mil GUARANI-KAIOWÁ dos acampamentos precários indígenas, pela segunda vez vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de ordem de nossa expulsão/despejo em curso expressada e anunciada pela Justiça Federal no Mato Grosso do Sul, de Tribunal Regional Federal de São Paulo, Supremo Tribunal Federal-Brasília-DF. No dia 25/10/2014, um dia antes da eleição, recebemos a informação de que Justiça Federal de Navirai-MS vai mandar atacar e despejar nós em meados de novembro de 2014. Assim, fica evidente para nós, mais uma vez que a ação da Justiça Federal continua gerando violências sem fim contra nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver nas nossas terras tradicionais PYELITO KUE/MBRAKAY. Assim, analisamos e entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal é parte da ação de GENOCÍDIO/EXTERMPINIO histórico de povo indígena do MS/Brasil. Queremos deixar claro ao Governo e Justiça Federal que estamos cercados de pistoleiros aqui, continuamos na mira de armas de fogo, para piorar tudo acabamos de receber a notícia que seremos expulso de nossa terra, que as nossas terras não serão demarcadas pelo governo e nem pela justiça, assim já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira e nem no Governo federal. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas??

Para qual Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal continua gerando e violências contra nós. Nós já avaliamos as nossas situações atuais e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, estamos passando fome, já morreram três indígenas em dois meses, assim não temos e nem teremos perspectiva de vida digna aqui no acampamento. Já são setes (07) morreram em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo PYELITO KUE/MBRAKAY.

De fato, sabemos muito bem que no centro de nossos territórios tradicionais estão enterrados todos os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados, as terras são nossas. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, diante de não mais demarcação de nossas terras, diante de ordem de despejo anunciada pela justiça brasileira, mais uma vez pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar somente a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui em nossas terras. Em geral esse pedido é de todas as comunidades de acampamentos precários no MS onde as crianças estão passando fome e morrendo sem assistência. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção totais, além de comprar milhares caixões funerárias e enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos cadáveres. Esse é nosso pedido aos juízes federais do TRF, STF e ao governo Dilma reeleita. Já aguardamos pronta esta decisão da Justiça Federal e do governo, Assim, se não demarcar as nossas terras é para decretar a nossa morte coletiva GUARANI-KAIOWÁ de PYELITO KUE/MBARAKAY, KURUSU AMBA, APYKA’I, GUYRAROKA, TAKUARA, YPO’I, etc, mais de 20.000 (vinte mil) GUARANI-KAIOWÁ decidimos resistir até morte em nossas terras tradicionais e para enterrar-nos todos aqui em nossas terras. Visto que mais de 20 mil indígenas GUARANI-KAIOWÁ decidimos integralmente a não sairmos de nossas terras com vida e nem mortos e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo. Sabemos que seremos atacadas e expulsas de nossas terras pela justiça do Brasil, porém não vamos sair de nossas terras. Como o povo nativo/indígena histórico, decidimos definitivamente em resistir até a morte pelas nossas terras. Já pedimos ao governo e justiça brasileira que nem os nossos cadáveres serão retirados de nossas terras, é para enterrar em nossas terras.

Entendemos que em 2014 e 2015 não temos outra opção e nem alternativa, RESISTIR é a nossa última decisão unânime diante de várias ordens de despejo autorizadas pela Justiça Federal de Navirai-MS, Justiça Federal de Ponta Porã, Justiça Federal de Dourados, Tribunal Federal em São Paulo, Supremo Tribunal Federal.
Atenciosamente,
Tekoha Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS, 30 de outubro de 2014
570 comunidade GUARANI-KAIOWÁ de PYELITO KUE/MBARAKAY 20.000 GUARANI-KAIOWÁ

GleiceOliveira Guarani-Kaiowá


Lẹ́tà kíní ti àwùjọ Guaraní KAIOWÁ

Pimeira Carta da comunidade GUARANI-KAIOWÁ.










Enterro de Denilson Barbosa, de 15 anos, cujo corpo a juíza Raquel Domingues do Amaral Corniglion quer que seja desenterrado pelos Guarani-Kaiowá até amanhã, para que as terras sejam "devolvidas" a seu assassino confesso, Orlandino Gonçalves Carneiro. Foto: Ruy Sposati (Cimi/MS)



Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).


Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).

Lẹ́tà = carta.

Kíní, kínní = primeiro.

Lẹ́tà = carta

Àwọn, wọn =  eles, elas. Indicador de plural.

Ènìà, ènìyàn = pessoa. Povo, alguém, seres humanos.
Ìbílẹ̀ = nativo, nascido na região.
Ènìyàn àbíníbí = povo indígena.



Ènìyàn, ará  = povo



Àbíníbí = natural, original, hereditário.



Guaraní = guarani




Carta dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul ao Governo Federal

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Fonte da notícia: Campanha Guarani





Nós, representantes dos povos indígenas, caciques e lideranças Guarani Ñandeva, Guarani Kaiowá, Terena e Kadiwéu, representantes do Conselho do Povo Terena, Conselho do Aty Guasu, do Conselho Continental da Nação Guarani (CCNG), Conselho Nacional de Educação Escolar Indígen da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) reunidos em Campo Grande, vimos a público exigir que o Governo Federal interceda imediatamente de maneira enérgica com um plano de segurança para os povos indígens no Mato Grosso do Sul.
No último período, as comunidades indígenas da região sofreram ataques inaceitáveis. Os Kadiwéu, cuja terra indígena foi demarcada há mais de 100 anos e homologada há quase 30, tem ao menos 23 fazendas incidindo sobre seu território. No segundo semestre do ano passado, a Polícia Federal realizou reintegrações de posse na área em função de uma liminar da Justiça Federal concedida a fazendeiros. Neste contexto, ameaças e ataques de pistoleiros contra lideranças indígenas foram e são recorrentes.



Em janeiro, famílias Terena da terra indígena Buriti, com 17 mil hectares declarados como território tradicional indígena em 2010 pelo Ministério da Justiça, mas apenas 2 mil ocupados, sofreram ataques de jagunços de fazendeiros. Os conflitos advém da morosidade do Estado em promover a demarcação física dos limites da terra e os sucessivos passos para a homologação do território.
As violências constantes contra os povos Guarani e Kaiowá revelam na dor do nosso povo a incapacidade do governo de demarcar nossas terras e de proteger nossas comunidades. Somente esse ano foram contabilizados ao menos 10 ataques de pistoleiros e fazendeiros contra acampamentos indígenas, culminando na execução do jovem Kaiowá Denilson Barbosa, de 15 anos, do tekoha Tey’ikue, em Caarapó, cujo assassino é o confesso proprietário de uma fazenda vizinha à aldeia.
Além da perseguição de fazendeiros, seguranças e jagunços, também sofremos quando há envolvimento da polícia civil e militar – via de regra comprometida com o latifúndio. Também sofremos o descaso e a difamação nos veículos da grande imprensa local que está a serviço dos fazendeiros e do agronegócio no Mato Grosso do Sul. Estamos cercados, em todos os sentidos.
Exigimos que todos os casos relacionados a direitos indígenas sejam tratados, investigados e julgados pela Justiça Federal e Polícia Federal. Exigimos que o Governo Federal garanta a segurança plena de nossas comunidades indígenas em situação de conflito devido a luta por seus direitos constitucionais.
Denunciamos, também, o comportamento declaramente anti-indígena e preconceituoso dos delegados da Polícia Federal de Dourados Chang Fan e Fernando José Parizoto. Após o assassinato de Denilson e os sucessivos ataques de fazendeiros sofridos pela comunidade do Tey’ikue, lideranças Guarani e Kaiowá foram a Dourados discutir um planejamento emergencial de segurança para a comunidade com a PF. Na presença da Fundação Nacional do Índio, o delegado Fernando Parizoto, de forma arrogante e autoritária, negou aos indígenas o auxílio da Polícia, retrucando que os equivocados nessa história eram os próprios Guarani e Kaiowá que, segundo ele, haviam invadido propriedade privada e seriam investigados por isso. Por temermos mais represálias, perseguições e ambos não terem sensibilidade e clareza para lidar com a questão indígena, exigimos que o Governo Federal os afaste do cargo.
A tudo isso, somam-se os ataques anteriores e toda a violência a qual fomos historicamente submetidos e que resultaram em mortes, empobrecimentos, perda de território e de identidade – quadros que são reforçados quando, na prática, governos ignoram nossas demandas.
Por fim, não nos resta outra alternativa a não ser reafirmar a carta de Pyelito Kue. Estamos preparados para morrer em nossas terras. Não vamos desistir nunca. Vamos retoma-lás uma a uma, fazendo nossa autodemarcação. Basta de impunidade, de fazendeiros assassinos andando à luz do dia, enquanto na terra se abre mais uma cova, que destruiu os sonhos de mais um jovem indígena.
Num contexto em que as comunidades e lideranças ameaçadas, mesmo as que estão sob proteção de programas de governo, não tem segurança; em que todos os nossos assassinos e expropriadores continuam impunes; em que não temos acesso à água, comida, saúde, escola e terra; nós exigimos Justiça. Nossos filhos não podem sofrer como nós já sofremos.
Campo Grande, 25 de fevereiro de 2013
Lideranças Terena, Kadiwéu, Guarani Kaiowá e Guarani Ñandeva


Mais uma lutadora Guarani-Kaiowá, MARINALVA MANOEL, é assassinada! Parem o genocídio!!!! 
Gleice Antonia de Oliveira





ATY GUASU DENUNCIA ASSASSINATO DA LIDERANÇA KAIOWÁ MARINALVA MANOEL E PEDE PROVIDÊNCIAS AO MPF - Tania Pacheco - 02.11.2014 - O Conselho da Aty Guasu enviou carta (abaixo) a Deborah Duprat, coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, e ao Procurador da República em Dourados, Marco Antonio Delfino, sobre a morte da liderança Kaiowá Marinalva Manoel, de 28 anos.

Uma das integrantes da comitiva que esteve em Brasília semana passada para exigir dos poderes públicos a demarcação das terras Guarani e Kaiowá, Marinalva foi encontrada na manhã de ontem (01/22) na margem da BR-163, despida e assassinada com diversas facadas.

Reunido na Terra Indígena Nhuporã, o Conselho da Aty Guasu exige, na carta, “investigação justa” para a morte de Marinalva Manoel, “pois a mesma já vinha sofrendo várias ameaças de morte”. A carta continua:

“Assim como todos nós povo Guarani e Kaiowá que estamos sofrendo ameaças de morte, ameaças de despejo, ameaças de invalidação dos laudos antropológicos de nossas Terras Indígenas Tradicionais decidimos que não vamos aceitar essa impunidade pacificamente, chega de morte Kaiowá”.

http://racismoambiental.net.br/2014/11/aty-guasu-denuncia-assassinato-da-lideranca-kaiowa-marinalva-manoel-e-pede-providencias-ao-mpf/

GleiceOliveira Guarani-Kaiowá, Hélida Mascarenhas Guarani-Kaiowá, Deborah Alvise, Vera Von Groll Rangel, Moangathu Jiahui, Angelisson Japi'i Tenharin, Sonia Bone Guajajara, Sebastião Sabá Haji Manchinery, Zaqueu Kaingang, Sassá Guarani Kaiowá Tupinambá, Marquinho Mota Munduruku Tapajós, Karo Munduruku, Helena Palmquist, Silvia Sales, Silvia Ferraro, Cacau Pereira, Assessoria Política Csp-conlutas, Natanael Vilharva Caceres, Kellen Natalice Veron Caceres, Tonico Benites Ava Guarani Kaiowá, Aldevan Baniwa, Benjamin Baniwa, Valmir Parintintin, Maria Eva Canoé, Mayra Wapichana, Luciano De Mello Silva, José Bessa, Eduardo Viveiros De Castro, Eduardo Sterzi, Marcelo Castañeda, Marcelo Zelic, Araci Labiak, Oiara Bonilla, Glaucia Baraúna, Maiká Schwade, Tomas Holguin, Alicia Fdez Gómez, Cristhian Espinoza, Charruly Uru LY, Maya Vásquez, Daniel Niclenson, Réquiem Por Bird Kerouac, Tomi Mori, Occupybarcelona Barcelona, Occupy Wallstreetss, Lara Schneider, Jasper Lopes Bastos Guarani Kaiowá,






Evolução humana ok


Ìtànkálẹ̀ìfihànìtúsílẹ̀: Ọmọnìyàn.

Evolução: Homo sapiens.








Homo cyberneticus - Formado pela junção do organismo humano com microchips. 





Homo hybridus - Com mutações genéticas que facilitem a incorporação de nanotecnologia.




Homo machinus - As máquinas farão parte da própria composição do nosso corpo.



Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).


Ìtànkálẹ̀ìfihànìtúsílẹ̀ = evolução,
Ìtànká, ìtànkálẹ̀ = extensão, alastramento.
Ọmọnìyàn =  Homo sapiens


Texto 1 - Evolução: Homo sapiens 2.0


Super 005a 
fevereiro
1988
Viemos dos macacos, mas para onde vamos? Ainda estamos evoluindo? Que tipo de bicho seremos no futuro?
por Tiago Cordeiro
  
Qual é o futuro da evolução humana? O zoólogo britânico Richard Dawkins costuma dizer que essa é a pergunta mais feita a todo especialista em evolução, e é aquela que os mais sensatos sempre evitam responder. Desde a década de 1940, uma saída alternativa era simplesmente negar que o ser humano continua evoluindo. A sombra dos experimentos envolvendo eugenia durante a 2ª Guerra ainda pairava sobre os cientistas, e havia evidências de que nossa espécie teria parado no tempo há aproximadamente 50 mil anos. Mas essa é uma posição cada vez mais difícil de sustentar. “É claro que estamos evoluindo. Todos os seres vivos evoluem, mas alguns mais devagar e nem sempre no sentido de melhorar as condições de competição diante da seleção natural”, diz o filósofo americano Daniel Dennett, diretor do Centro de Estudos Cognitivos da Tufs University. Em março deste ano, uma equipe liderada pelo biólogo americano Jonathan Pritchard, da Universidade de Chicago, anunciou a descoberta de mais de 700 genes que sofreram seleção natural entre 6 mil e 10 mil anos atrás – entre eles, genes que definem a pigmentação da pele, a formação de pêlos e o metabolismo. Portanto, estamos mesmo evoluindo, e está cada vez mais difícil seguir a dica de Dawkins de não discutir o futuro.

Animais domesticados

A evolução depende basicamente de 3 fatores: a mutação, que cria a variedade; a seleção natural, que direciona qual tipo de variedade vai sobreviver; e os fatos que são impossíveis de serem previstos. “A mutação e a seleção são um pouco mais previsíveis, mas a contingência histórica pode mudar tudo, e muito rápido. Foi graças a ela que os grandes répteis perderam a hegemonia do planeta para os grandes mamíferos”, diz a geneticista Maria Cátira Bortoloni, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nos últimos séculos, o ser humano criou mecanismos para minimizar os efeitos de um desses fatores, a seleção natural. Nos últimos 150 mil anos, por causa das mudanças de estilo de vida e de alimentação, ganhamos pernas mais compridas, braços mais curtos, cabeças maiores e menos pêlos no corpo. Também ficamos mais altos – os homens americanos são hoje 7,5 centímetros mais altos do que os seus bisavós eram há 100 anos. Além disso, nos tornamos fisicamente mais fracos. “A mutação que provocou a atrofia de um dos músculos que sustentam a mandíbula se mostrou positiva. Isso acabou gerando o relaxamento da caixa craniana”, diz Maria Cátira. Nos próximos séculos, essas mudanças tendem a continuar. Em muitos aspectos, os seres humanos se tornaram animais domésticos. Ao diminuir a força da seleção natural e reforçar o poder da seleção artificial, perdemos grande parte da nossa capacidade auditiva. Quanto ao nosso peso, há controvérsias. O mundo desenvolvido está mais gordo, e toda modelo que passa fome por causa do trabalho luta contra uma necessidade ancestral de acumular gordura para encarar períodos de alimentação escassa. Há quem aposte que, num futuro distante, as pessoas mais magras vão viver e procriar mais do que as gordas, até que essa tendência gordurosa não seja mais dominante. De fato, a pesquisa do grupo de Jonathan Pritchard identificou uma mudança em genes envolvendo o metabolismo de carboidratos e a regulação da camada adiposa no organismo.

Corpo fechado?

Há 50 mil anos, quando os homens ainda caçavam para comer, as chances de sobrevivência de uma pessoa míope seriam mínimas. Hoje, essa mesma pessoa cresce e se reproduz sem grandes problemas. Parte dos cientistas usa exemplos como esse para apostar que, no futuro, seremos cada vez mais frágeis – afinal, do ponto de vista biológico, o que interessa é alcançar a idade de reprodução. Quanto e como vivemos depois disso interfere pouco na seleção natural. Desde que se tornou uma meca dos equipamentos de informática, a região do Vale do Silício, na Califórnia, experimentou um grande aumento do número de habitantes autistas. “Eles se mostraram competentes para lidar com computadores. Como têm uma carreira, acabam conhecendo outras pessoas no trabalho, casam-se mais e se reproduzem. Esse é um forte indício de que os genes de praticamente todos nós estão chegando à próxima geração, e não só aqueles mais bem adaptados ao meio ambiente”, diz a antropóloga Kristin Nicole Harper, da Emory University, em Atlanta. Claro que esse processo é mais forte nos países desenvolvidos, onde as condições de higiene são melhores e o atendimento hospitalar de qualidade atende um maior número de pessoas. Em outros lugares, diz a professora, a seleção natural ainda tende a avançar com mais força. “Na África, a tendência é que, dentro de algumas centenas de anos, todos tenham resistência a aids. Foi o que aconteceu entre os chimpanzés, que provavelmente sofreram com mortes maciças até que uma pequena parcela adquiriu imunidade e começou a se reproduzir.” De olho na engenharia genética, outros cientistas apontam para uma tendência contrária: quando os pais forem capazes de escolher as características dos filhos antes do nascimento, as novas gerações serão mais fortes, mais inteligentes e mais resistentes a doenças. Já existem no mundo 3 milhões de crianças nascidas por fertilização in vitro. Centenas dessas crianças foram criadas depois de um processo de seleção genética, um diagnóstico que garantiu que elas não teriam deformidades ou doenças graves. Hoje é possível escolher o sexo do filho – estima-se que, nos EUA, 2 mil casais já tenham feito isso – e diminuir os riscos de que eles desenvolvam mal de Alzheimer ou artrite.

Planeta Brasil

A miscigenação existe desde que o Homo sapiens surgiu na África e se espalhou pelo mundo – não fosse assim, nesses 200 mil anos de história, já teríamos nos dividido em várias espécies diferentes. Mas as últimas 3 gerações experimentaram uma miscigenação ainda maior. “As pessoas estão se casando hoje com mulheres que eles encontraram muito mais longe do lugar onde nasceram do que antigamente. Essa grande mistura de genes vai produzir uma população mundial com uma cor de pele muito parecida e próxima do marrom”, diz o biólogo Peter Ward, da Universidade de Washington. Nem todo mundo pensa assim. Maria Cátira Bortoloni acredita que a tendência é que um número cada vez maior de países, principalmente no Ocidente, experimente uma miscigenação muito parecida com a que o nosso país viveu nos últimos 500 anos. “O Brasil passou por um processo civilizatório muito complexo, até se tornar uma nação em que populações de origens completamente diferentes se misturam. Algo possível pode acontecer no restante do mundo. O mais provável não é o surgimento de um único tipo físico, mas a coexistência, no mesmo espaço, de pessoas de cores de pele, olhos e cabelo diferentes”, ela argumenta. A pesquisa de Pritchard reforça a tese da professora. Ele percebeu que nem todas as mudanças genéticas acontecem simetricamente em diferentes grupos étnicos. Entre os habitantes europeus, foram identificados 4 genes dominantes ligados à pigmentação mais clara da pele. Tanto europeus quanto asiáticos estão sofrendo mutações em um gene que impede a má formação dos ossos, enquanto a população da Nigéria é a que mais experimenta uma diminuição na quantidade de pêlos do corpo. Só em dois aspectos todas as populações analisadas estão evoluindo juntas: a regulação do metabolismo e o desenvolvimento do cérebro.

Inteligência crescente

Há 2 milhões de anos, a caixa craniana dos hominídeos começou a crescer rapidamente, até que surgisse o cérebro, a mais eficiente e complexa estrutura de que se tem notícia. Existem indícios de que esse processo continua acontecendo. Pesquisa do geneticista Bruce Lahn, da Universidade de Chicago, aponta que dois genes que influenciam o tamanho e a complexidade do cérebro continuam sofrendo mutações – há registros de variações tão recentes quanto 5 800 anos. “Se nossa espécie sobreviver por mais 1 milhão de anos, imagino que nosso cérebro será maior e terá diferenças estruturais significativas. As mutações que favorecem o maior desenvolvimento da inteligência são visivelmente favorecidas pela seleção”, diz o professor. Michel Hofman, pesquisador do Netherlands Institute for Brain Research, prevê que ainda há espaço para o cérebro humano crescer até 3 vezes mais do que o tamanho atual, antes de começar a perder a eficiência. A partir desse limite, o tamanho superaria a capacidade de estabelecer sinapses rapidamente. “Temos espaço para evoluir bastante em termos de capacidade cerebral, mas só até certo ponto”, aponta o professor Lahn. “Tudo indica que estamos avançando em direção a um aumento das capacidades intelectuais humanas, mas essa evolução não é ilimitada.”

Rumo ao homo machinus

“As próximas gerações do Homo sapiens serão capazes de controlar sua própria evolução. A tecnologia e os avanços da genética vão nos levar a níveis evolutivos nunca vistos no planeta”, diz o matemático inglês Ian Pearson. Para ele, a civilização está para passar por novos estágios evolutivos. “A partir de 2015, os robôs vão se tornar uma nova forma de inteligência, superior à humana. Quando isso acontecer, vamos começar um processo de união do homem com a máquina”, ele prevê. Primeiro, diz Pearson, virá o Homo cyberneticus, formado pela junção do organismo humano com microchips. Depois, chegará o Homo hybridus, com mutações genéticas que facilitem a incorporação de nanotecnologia. Por fim, virá a era do Homo machinus, quando as máquinas farão parte da própria composição do nosso corpo. “Em 2200, nós mesmos seremos capazes de entrar na internet, porque nós e os computadores teremos elementos em comum”.


Vale a pena ler

The Third Chimpanzee: The Evolution and Future of the Human Animal, Jared Diamond, HarperCollins, EUA, 1992
Future Evolution, Peter Ward, W. H. Freeman, EUA, 2001
O Laptop de Leonardo, Ben Shneiderman, Nova Fronteira, Brasil, 2006






Texto 2 - Encenado Evolução do híbrido AI

Híbridos Nosso paradigma começa com o Homo Sapiens como a raiz de uma árvore evolutiva que depois se ramifica em várias direções, o que um dia pode levar ao pleno senciente AI. É claro que, no estado actual do conhecimento, ainda é apenas uma especulação sobre se a ciência nunca vai replicar os atributos de consciência necessários para a vida e auto-consciência. No entanto, com esta suposição claramente identificados, o nosso paradigma evolutivo pode ser usado como um quadro para a discussão do estado atual da tecnologia e do alcance de complexidade ainda ser abordadas. O resumo de cada estágio de evolução abaixo não deve ser tomado muito literalmente, embora haja uma possibilidade de que eles não podem ser tão longe da verdade. O principal ponto a ser encaminhado é que é altamente improvável que senciente AI vai apenas um dia aparecer na parte de trás de um laboratório de pesquisa de computador depois de uma greve de iluminação aberração; mas sim como um processo em etapas de evolução-by-design, por exemplo,

Homo Sapien
Homo Computerus
Homo Optimus
Homo Cyberneticus
Homo Hybridus
Homo machinus
Homo Primus
É claro que os nomes "científicos" são completamente fictícios, mas espero que ajude a transmitir a essência do lugar de tirar mudança. Enquanto muitos estão prevendo a estrada para senciente AI em menos de 50 anos, isso pode ser tão grosseiramente mais otimista de que só se pode supor a fonte de tais predições para ser o "departamento de marketing AI '. No entanto, poderia ser tomado os primeiros passos na nossa árvore evolutiva AI neste período. Certamente, dentro da vida de filhos e netos desta geração, o impacto de sistemas inteligentes poderia acelerar o processo de mudança que acabará por alterar a sociedade (e da vida) além do nosso reconhecimento atual. Mesmo consciente AI estavam a tomar outro milênio, o que pode ser igualmente pessimista, este ainda seria menor que um milionésimo de 1% do tempo necessário para a vida do Homo Sapiens para evoluir na Terra.

Homo Sapiens

Catalisador para a mudança: Escrita; Livros impressos; Revolução industrial

Homo Sapiens foram essencialmente totalmente evoluído ao longo de cerca de 100.000 anos atrás, em termos de sua capacidade cerebral. O desenvolvimento da escrita, cerca de 5.000 anos atrás, foi um catalisador que permitiu o aumento de armazenamento de informações. A capacidade de armazenamento foi novamente significativamente aumentada pela invenção posterior da imprensa (1436) e aperfeiçoada pela mecanização comprado pela revolução industrial. Em termos de hierarquia de Maslow , as necessidades básicas de sobrevivência de uma parcela significativa da população estavam sendo atendidas por alguns países em desenvolvimento no início do século 20. Portanto, as condições adequadas para o próximo passo evolutivo, apesar de que não seria darwiniana na natureza.

Homo Computerus

Catalisador para a mudança: Computadores; Redes e Internet

Sugere-se que nós já tomaram o próximo passo evolutivo. Embora os computadores não são parte integrante do nosso DNA biológico , eles são uma parte integrante da nossa sociedade global e fundamental para apoiar uma população mundial de cerca de 6,7 bilhões de pessoas. Homo Computerus tem uma capacidade de armazenamento de informação que é bilhões de vezes maior do que o Homo Sapiens . No entanto, mais importante, o Homo Computerus tem a capacidade aprimorada para processar e distribuir o enorme aumento na informação em escala global. Na prática, esta espécie pode ser dividido em dois sub-grupos amplos:

Homo Computerus Illiterus
Homo Computerus Literus
Apesar de muito poucas pessoas vivem totalmente fora da influência dos computadores, o ex-sub-grupo ainda é responsável por uma grande porcentagem da população. A vida deste grupo são afetados por computadores e pode até mesmo ser dependente deles, mas eles são efetivamente computador analfabetos. No entanto, a taxa de crescimento deste último sub-grupo está a crescer em comparação com o primeiro. A partir de 2008, estima-se que há um bilhão de computadores em uso em todo o mundo, estima-se que aumente para 2 bilhões em 2015, a partir da qual a alfabetização, e dependência, está se expandindo rapidamente para todos os cantos do globo. Isso ignora o número crescente de geração de hoje, que parecem estar permanentemente ligado a seus I-phones!

Homo Optimus

Catalisador para a mudança: genoma humano; Pesquisa de DNA

No final do século 20, o primeiro mapeamento do genoma humano foi concluído, cerca de 3 anos antes do previsto, em grande parte graças a melhorias no processamento do computador. Ao longo dos próximos 50 anos, o aumento do conhecimento do DNA humano também será acompanhado por uma melhoria semelhante em nosso conhecimento do cérebro e suas muitas funções. A aplicação deste conhecimento para melhorar o nosso próprio genoma e capacidade mental vai começar a ver o nascimento de uma nova espécie, conhecido como Homo Optimus. Evolução ainda será baseado em melhorias biológicas para o genoma humano básico, mas a taxa de mudança é feita pelo homem. Na prática, as melhorias na nossa capacidade cerebral pode ser limitado pelo seu design biológico. No entanto, a qualidade ea duração da vida podem melhorar muito a criatividade e a produtividade global de vidas humanas. Em paralelo, a sociedade estará passando por mudanças semelhantes como sistemas de computadores cada vez mais inteligentes assumir muitas das profissões estabelecidas e respeitadas da atualidade.

Assim, ao longo do tempo, o Homo Optimus passa a representar o pico da evolução humana na sua forma biológica. Claro, haverá resistência a qualquer intromissão com a evolução natural. No entanto, da mesma forma que temos vindo a aceitar a cirurgia plástica para melhorar a nossa aparência física, podemos gradualmente vir a aceitar as melhorias mais fundamentais, especialmente se eles nos ajudam a competir em um mundo competitivo. Hoje, algumas pessoas podem ficar horrorizados com as mudanças implícitas Homo Optimus. No entanto, a humanidade pode, eventualmente, ser forçado a procurar novas soluções, se a sua ambição de explorar e compreender o universo está a ser satisfeita.

Homo Cyberneticus

Catalisador para a mudança: Brain-Computer Interface Direta

Apesar de melhorias notáveis ​​para o genoma humano pode levar a um aumento da capacidade do cérebro, os limites biológicos do cérebro pode não ser capaz de competir com a tecnologia de computador futuro. No entanto, enquanto o processamento do computador terá evoluído, até o final do século 21, a ser basicamente de auto-aprendizagem em espaços problema restrito, não vai ser senciente. Portanto, Homo Cyberneticus pode representar a próxima, e mais lógica, passo na evolução pela fusão da sensibilidade humana e imaginação criativa com a incrível capacidade de processamento e armazenamento dos computadores através de uma interface cérebro-computador direto .

Por razões de mobilidade, a interface cérebro-computador direto pode ser sem fio, mas ainda capaz de muito alta velocidade para permitir que o cérebro biológico acesso rápido a um lobo adicional, o computador. Embora, de telecomunicações de alta velocidade do dia será muito melhor sobre a nossa percepção atual da telefonia móvel, os atrasos de transmissão ainda são limitados pela velocidade da luz. Para muitos processos mentais, um atraso de algumas centenas de milissegundos pode ser aceitável, embora melhorias de visão em tempo real iria exigir tempos de resposta muito rápidos. Hoje, os satélites em órbita geo-estacionários podem incorrer em várias centenas de milissegundos de atraso, embora os satélites de baixa órbita já estão previstas, que irá reduzir o atraso de algumas dezenas de milissegundos. Outros avanços que têm estações de micro-relé na atmosfera superior, a poucos quilômetros acima da Terra, poderia reduzir os atrasos ainda mais.

Neste momento, ainda há muitas características da inteligência humana, criatividade e imaginação que residem no cérebro biológico, que não pode ser replicado em silício. No entanto, uma interface de computador integrado que permite o acesso a informações estendida recall, processamento e armazenamento podem ter benefícios profundos em termos de produtividade dos processos mentais humanos, especialmente se ligadas em grupos coletivos. Por exemplo, um subproduto da interface cérebro-computador é que o Homo Cyberneticus torna-se efetivamente telepática no sentido de que ele possa se ​​comunicar diretamente ambos os pensamentos e idéias com outros membros de sua espécie. Este fato representa uma encruzilhada importante na evolução, porque as espécies evolutivas anteriores agora cada vez mais difícil de se comunicar efetivamente com o Homo Cyberneticus, que está submergindo-se rapidamente em um mundo de realidade aumentada.

A capacidade do Homo Cyberneticus para entrar perfeitamente ciberespaço vai iniciar um processo de mudança ainda mais fundamental. Em muitas interações, Homo Cyberneticus será capaz de assumir um ego ou avatar persona alter. Vamos imaginar que uma interação entre dois Homo Cyberneticus persona pode ser assim. Jenny é uma mulher de 20 anos que vive em Inglaterra e Kado é um homem de 62 anos que vive no Japão. Jenny não fala japonês e Kado não fala Inglês. Por muitas razões, Jenny muitas vezes escolhe uma persona masculina japonesa ao fazer negócios no Japão e inicia uma conexão com Kado via sua interface de mental. Kado aceita a conexão, selecionando a persona de um homem japonês de 35 anos de idade. A persona visual ou avatares são percebidos diretamente no córtex visual. Quando Jenny fala, suas palavras são convertidas em texto e armazenados em seu banco de dados local para referência futura com carimbo de tempo, então traduzido para um idioma de texto comum e encaminhado para Kado com seu perfil avatar. Como Kado recebe o texto comum ele é convertido para texto em japonês e armazenados no banco de dados do Kado para sua referência futura. Ao mesmo tempo, as palavras de Jenny são traduzidos em japonês antes de ser recebido pelo sistema auditivo do Kado. Diálogo em outra direção passa por um processo semelhante. Para Jenny e Kado, o processo é efetivamente instantânea e sem costura. Em um mundo Homo Cyberneticus, as pessoas têm muitas identidades para atender as exigências do ciberespaço. Esta anedota pode inicialmente parecer um pouco irreal no nosso mundo, mas aspectos desta história, como avatar persona já estão sendo jogado fora em Internet chat-rooms e tradução de texto é possível, como é a conversão texto-fala, embora num contexto mais restrito .

Homo Hybridus

Catalisador para a mudança: Robótica

Embora o âmbito da mudança até este ponto é significativa, a aparência externa pode ser essencialmente inalterada. Homo Hybrid é o início de uma evolução física para acompanhar a evolução mental dentro. Por conseguinte, pode ser surpreendente que o início deste processo evolutivo já começou. Hoje, em laboratórios de investigação médica em todo o mundo, as pessoas já estão trabalhando em sistemas biomecânicos para resolver deficiências devido à amputação do membro e paralisia. No entanto, a integração significativa de substituições biomecânicas só terá lugar, como e quando, brain-computer-interface direta permite que a anatomia biomecânica para ser totalmente controlado. Com Homo Cyberneticus já ter pisado o limiar homem-máquina, melhorando o cérebro humano com a capacidade do computador direto e prolongado, Homo Hybridus abraça extensas melhorias próteses para o corpo.

Na prática, muitas previsões futuras tendem a encobrir as implicações sociais reais do admirável mundo novo que a tecnologia está prestes a criar. Há duzentos anos, a revolução industrial estava indo para libertar a humanidade da escravidão manual. Para ser justo, as máquinas se remover grande parte da carga de trabalho manual da humanidade, mas a um preço que não foi compreendido no começo. Cinqüenta anos atrás, os computadores estavam indo para remover o trabalho penoso de tarefas repetitivas e nos dar mais tempo de lazer. Mais uma vez, em parte, algumas das reivindicações de marketing fosse verdade, mas você tinha que ler o aviso legal de pequena impressão que veio junto com este negócio. Hoje, pode ser quase impossível para nós imaginar uma sociedade global que compreende do que poderia ascender a quatro sub-espécies de vastamente diferentes aparências e capacidades. Ao mesmo tempo, este mundo pode ter o dobro da população e muitos dos trabalhos manuais e profissionais de hoje estão sendo realizados por sistemas especialistas inteligentes. Claramente, não parece ser o potencial para um grande colapso da sociedade, tal como a conhecemos. Para ser honesto, não é claro, como esse conflito vai ou pode ser evitada, apenas que haverá vencedores e perdedores.

Homo machinus

Catalisador para a mudança: Cyborg, AR

Sugere-se que o impulso inicial para o Homo hybridus mostrou substituição biomecânica da anatomia humana danificado ou defeituoso. No entanto, uma das anteriores previsões técnicas sugeriu que 98% do corpo humano poderia ser substituível em 2030. Embora algumas dessas reivindicações horizonte temporal pode ser contestada, o que está claro é que há um considerável potencial para alterar a anatomia humana. Embora hoje em dia, o termo "cyborg" pode evocar imagens negativas de ficção científica, a eventual realidade pode ser, pelo menos visualmente, bem diferente. Mais uma vez, ao longo do tempo, cada vez mais melhorias exóticas podem se tornar aceito. No entanto, o efeito secundário deste processo é que muitas características humanas poderia começar a ser perdida. Em última análise, o corpo biológico pode se tornar redundante e da mente consciente preservada como um centro para controlar centenas de potenciais extensões de drones-like. Hoje, pode ser difícil para muitos de não recuar diante de tal visão do futuro, no entanto, isso pode ser porque os nossos pontos de vista sobre o mundo são baseadas em nossas percepções da realidade ligada a um mundo físico. No entanto, no futuro, pode ser possível não só para reestruturar toda a nossa anatomia, mas também para viver nossas vidas em ambos realidades físicas e artificiais .

Vamos tentar colocar este mundo em um contexto, onde Homo machinus desenvolveu a tecnologia para a exploração do espaço profundo, permitindo que os sistemas de sistema e estrela vizinha solares físicos para ser explorado e extraído de recursos minerais. Embora grande parte desta operação é realizada por sistemas inteligentes, alguns aspectos ainda precisam Homo machinus para ser colocado dentro de uma nave-mãe no espaço. A fim de sobreviver aos rigores de uma vida no espaço, ao mesmo tempo, minimizar o custo e os recursos para manter o seu suporte de vida a bordo, o Homo machinus se adaptou substituindo muito sua anatomia biológica original. Nesta forma, o Homo machinus tem uma expectativa de vida prolongado de cerca de 300 anos, com base em suas células do cérebro biológico do núcleo e pode sobreviver longos períodos de alta aceleração 'G'. No entanto, enquanto o Homo machinus vive e trabalha nesta realidade física escassa, ele também vive e gosta muito do seu tempo de lazer em uma realidade artificial muito mais rico. Ao longo do tempo, a interface cérebro-computador também evoluiu para fornecer estímulo direto de todos os sistemas sensoriais primários. Como tal, o Homo machinus vê, ouve, gostos, cheiros e toques em uma realidade artificial (AR) pode ser tão real, para todos os efeitos, como o que percebemos em nossa realidade física atual. No entanto, na AR, não há necessidade de recursos físicos e, portanto, atividades de lazer são limitadas somente por sua imaginação e os sistemas de computador para gerar as simulações AR.

Homo Primus

Catalisador para a mudança: AI, AR

Assim, ao longo do tempo, o projeto DNA do Homo Sapiens é continuamente sujeita a atualização. Mesmo as complexidades aparentes dos trilhões de conexões de neurônios no cérebro humano são emulados. E assim, AI na forma de Homo Primus finalmente emerge, não através de alguma greve iluminação aberração, mas por meio da atualização total do projeto inicial do Homo Sapiens. Enquanto que, a partir de nossa perspectiva atual, podemos considerar Homo Primus como tecnologia similar a um computador, essa tecnologia poderia ser tão distante dos computadores de hoje em dia, como Homo Primus será a partir do Homo Sapiens. Mais para o futuro, senciência e inteligência de várias mentes poderiam fundir-se devido à comunicação telepática entre eles perto. Tendo finalmente quebrada completamente livre de evolução darwiniana , a taxa de desenvolvimento intelectual pode ser fenomenal, como poderia a esperança de vida.


Em certa medida, as transições mais difíceis neste paradigma evolutivo pode estar em seus estágios iniciais. A grande transição ser do Homo Optimus ao Homo Cyberneticus porque não só é o ponto em que a humanidade começa a mudar sua persona biológica, mas os computadores na forma de sistemas inteligentes são obsolescing muitas profissões principais. Após este limite for ultrapassado, as novas sub-espécies começam a viver suas vidas em vários níveis de realidade, ou seja, realidades físicas, além de múltiplas artificiais. É provável que o Homo Hybridus e Homo machinus será estágios apenas intermediários em que a complexidade final do nosso plano biológico é re-engenharia para completar Homo Primus.