terça-feira, 27 de setembro de 2016

Cultura

Njẹ́ àwọn ẹranko ní àṣà?
Será que os animais possuem cultura? 



Resultado de imagem para cultura animal


Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).


Njẹ́ (forma reduzida de hunjẹ́), ṣé, part. interrog. Será que. Inicia uma frase interrogativa quando exigem respostas sim (bẹ́ẹ̀ni, ẹ́n) ou não (bẹ́ẹ̀kọ́, rárá, ẹ́n-ẹ́n). Ṣé o mọ ọ̀nà? - Você conhece o caminho?  Rárá, èmi kò mọ̀ - Não, eu não conheço.
Àwọn, wọn, pron. Eles elas. Indicador de plural.
Ẹranko, s. Animal.
Ẹran, s. Carne, animal.
, prep. Contração da preposição ní e substantivo. Quando a vogal inicial do substantivo não é i, a consoante n da preposição se transforma em l, e a vogal i toma forma de vogal do substantivo posterior. Mas se a vogal do substantivo é i, ela é eliminada. Ní àná ( l'ánàá ). Ní ilé (ní'lé)
, part. enfática. Usada na construção de frases, quando o verbo tiver dois objetos, o segundo objeto é precedido por " ní".
, prep. No, na, em. Usada para indicar o lugar em que alguma coisa está. Indica uma posição estática.
, v. Ter, possuir, dizer.Transportar carga em um barco ou navio. Ocupar, obter, pegar.
Ni, v. Ser, é.
, pron. dem. Aquele, aquela. Requer alongamento da vogal final da palavra que o antecede somente na fala. Ex.: Fìlà ( a ) nì = aquele chapéu.
Ìmòye, àmòye, s. Sabedoria, compreensão, previsão.
Ìmọ̀, s. Cultura, saber, conhecimento. 
Ìlàjú, s. Cultura, civilização. 
Àṣà, s. Costume, hábito, moda. 
Àṣà-ibílẹ̀, s. Costume nativo.

Animais , eles também têm cultura

Novas revelações da ciência sobre o comportamento dos animais estão ajudando a derrubar uma das últimas barreiras que distinguia o homem das outras espécies.


POR Redação Super

 Rodrigo Cavalcante / Rodrigo Maroja




Há quase 50 anos, na pequena ilha de Koshima, no Japão, Imo, um jovem macaco que gostava de batata- doce, teve um insight que mudaria para sempre o hábito alimentar da sua espécie. Num dia de setembro de 1953, ele não levou a batata diretamente à boca, como faziam todos os outros animais. Ninguém sabe ao certo se ele percebeu que a terra suja desgastava seus dentes. Ou se ele achou mais saboroso comer ela limpa. O fato é que Imo começou a lavar a batata antes de comer, como faria qualquer dona-de-casa. No começo, ele apenas mergulhou a batata num pequeno braço d’água que corria em direção ao mar. Depois, aperfeiçoou a técnica: enquanto afundava a batata na água com uma das mãos, aproveitava a outra para retirar a lama mais aderente. Três meses depois, dois amigos dele começaram a fazer o mesmo e o hábito se espalhou pelos irmãos mais velhos, foi repetido pelas mães, numa espécie de reação em cadeia. Em cinco anos, mais de três quartos dos jovens da espécie lavavam a batata exatamente como Imo.

Publicidade

Hoje, comer a batata limpa é uma característica das novas gerações de macacos da ilha de Koshima.

A descoberta de Imo pode parecer banal, mas obrigou os cientistas a reverem para sempre a forma como viam os animais e a espécie humana. Para os pesquisadores, a capacidade de Imo transmitir uma nova técnica para outras gerações é uma das provas de que alguns animais também têm um dom que era considerado exclusivo do homem: a cultura. “Precisamos reconhecer que está caindo uma das últimas barreiras que nos separam das outras espécies”, diz o primatologista holandês Frans de Waal, autor do livro The Ape and The Sushi Master (O macaco e o sushiman, sem tradução no Brasil). Ele diz que é claro que cultura, nesse caso, não significa a capacidade para escrever obras literárias ou pintar quadros cubistas. “Cultura é um comportamento transmitido socialmente que não é adquirido individualmente nem geneticamente”, diz de Wall. “É algo que se aprende com os outros, como a técnica de lavar batata dos macacos japoneses.”

Apesar de o primeiro artigo sobre esses macacos ter sido publicado no Japão ainda na década de 1960, a maioria dos pesquisadores ocidentais só recentemente vem usando sem pudor o termo cultura para descrever o comportamento dos animais. “Não é à toa que essas descobertas pioneiras foram feitas no Japão”, diz de Wall. “Os orientais vêem o homem bem mais perto das outras espécies, ao contrário da tradição do Ocidente, que coloca o ser humano num pedestal muito acima dos outros.”

A Bíblia é um bom exemplo dessa tradição. A primeira parte do Gênesis descreve como Deus, depois de criar as outras espécies, fez o homem à sua imagem e semelhança para “dominar os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos e todo réptil que se arrasta sobre a terra”. Do grego Aristóteles, no século IV a.C., ao filósofo francês René Descartes, no século XVII, os animais continuaram sendo encarados como seres desprovidos de razão, emoção e alma. Mesmo no século XX, quando ficou evidente que a inteligência de diversas espécies era muito superior ao que se imaginava, essa capacidade de aprendizado foi classificada de instinto, reflexo condicionado ou pura imitação. “O curioso é que, quando um garçom de um restaurante japonês aprende a fazer seus pratos observando o sushiman em ação, isso é aprendizado. Quando um animal aprende uma nova técnica de conseguir alimentos observando outro, isso é visto como imitação”, diz de Wall.

Todas essas descobertas só vieram à tona quando os pesquisadores passaram a prestar atenção nos animais como uma forma de descobrir mais sobre a própria evolução humana. Foi o que ocorreu com a inglesa Jane Goodall, que ficou famosa por seu convívio com os chimpanzés na década de 1960, na Reserva Nacional de Gombe, na Tanzânia. Contratada pelo famoso antropólogo Louis Leakey para trazer informações sobre o comportamento dos primatas – e possivelmente conseguir, com essa observação, esclarecer alguns pontos obscuros da própria evolução da cultura humana – o trabalho de Goodall logo revelaria que os chimpanzés eram fascinantes pela diversidade da sua própria cultura. Acampada dentro da floresta, ela passou milhares de horas observando e coletando dados surpreendentes. Goodall comprovou que os chimpanzés tinham uma complexa vida social, uma linguagem primitiva com mais de 20 sons diferentes e usavam diversas ferramentas para extrair alimento – algo que até então era considerado um marco da cultura humana.

Lembra a clássica cena de abertura de 2001 Uma Odisséia no Espaço, em que um dos nossos antepassados hominídeos usa pela primeira vez um pedaço de osso como ferramenta e dá início a todo o desenvolvimento tecnológico? Goodall provou que os chimpanzés também usam ferramentas, como gravetos, de uma forma semelhante ao homem. Não se trata apenas de artefatos como a casa do joão-de-barro, que, de geração para geração, tende sempre a permanecer a mesma, como quem segue à risca a planta de conjunto habitacional programado pelos genes. Quando a revista National Geographic enviou o fotógrafo alemão Hugo van Lawick (futuro marido de Goodall) para registrar o dia-a-dia dos chimpanzés no parque, em 1962, até o mais cético foi obrigado a rever sua crença de que a cultura é um dom único da nossa espécie. Além das ferramentas, a pesquisa de Goodall e as imagens de Van Lawick revelaram que eles tinham um sistema de organização política.

Os machos da espécie disputavam a liderança do grupo não só pela força, mas com intrincados jogos de alianças, conflitos e reconciliações. “Eles participam de acordos, disputas e reconciliações semelhantes ao que ocorre em qualquer parlamento”, diz Eduardo Ottoni, estudioso do comportamento animal da Universidade de São Paulo. Recentemente, uma dessas alianças entre chimpanzés terminou em tragédia no zoológico de Arnhem, na Holanda, quando dois machos se uniram e assassinaram um dos líderes do grupo. “Depois da morte do chimpanzé, a aliança entre os dois ‘assassinos’ terminou”, diz Ottoni.

Ottoni vem estudando, no Brasil, o uso de ferramentas e a vida social de grupos de macacos-prego que vivem em uma área reflorestada de 180 000 metros quadrados no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo. Há sete anos, um funcionário do parque viu um dos macacos quebrando cocos com pedras sobre uma base rochosa. “Desde então, estamos acompanhando esse grupo”, diz Ottoni. “Como essa técnica não é comum em outros macacos da espécie, essa descoberta foi surpreendente.” Além do uso de ferramentas, a pesquisa vem revelando que o macaco-prego apresenta alguns traços de vida política semelhante à dos chimpanzés. “Na hora em que um deles vai dividir a comida, os amigos têm sempre a preferência”, diz a pesquisadora Patrícia Isar, que faz parte do grupo que estuda a espécie no Brasil.

Mas será que a lista de animais que têm cultura estaria restrita a chimpanzés, macacos-pregos, gorilas, orangotangos e outras espécies próximas do homem? “É natural que, no início, as pesquisas se concentrem em animais mais semelhantes ao homem”, diz o etólogo (estudioso do comportamento animal) César Ades, da Universidade de São Paulo (USP). “Até mesmo porque é mais fácil reconhecer a presença de cultura em artefatos produzidos pelas mãos, o que exclui, por exemplo, os animais que vivem no mar”, afirma.

Há muito tempo, os cientistas sabem que os mamíferos marinhos, como baleias e golfinhos, têm uma inteligência surpreendente. Mas novas descobertas trouxeram dados ainda mais reveladores. No ano passado, no Aquário de Nova York, uma experiência mostrou que os golfinhos têm uma capacidade que até então era considerada exclusiva do homem e dos grandes primatas: são capazes de se reconhecer no espelho. Para comprovar que, de fato, o animal sabe que quem está ali do outro lado do vidro é ele e não um estranho (se você já viu o olhar desconfiado de um gato e de um cachorro em frente ao espelho, sabe do que se trata), os pesquisadores fizeram um teste simples mas bastante eficaz: colocaram pintas pretas de tinta não tóxica em diversas partes do corpo do golfinho para saber se eles iriam procurar a imagem desses sinais. Resultado: os golfinhos Presley e Tab, do Aquário de Nova York, colocaram exatamente as partes do corpo pintadas em frente ao espelho, como se quisessem ver as manchas pretas.

E, a cada vez que uma outra parte do corpo era pintada, eles expunham a nova marca no espelho. “Isso prova que essa habilidade não é exclusiva dos grandes primatas”, diz Diana Reiss, pesquisadora do Laboratório de Vida Marinha do aquário. Irene Pepperberg, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Estados Unidos, diz que agora é preciso saber até que ponto o auto-reconhecimento significa uma capacidade maior de pensamento abstrato.

Em meio à diversidade da vida animal, um dos principais desafios dos cientistas é tentar entender por que algumas espécies são capazes de desenvolver a inteligência e certas habilidades culturais e outras não. No passado, o tamanho e a complexidade do cérebro eram considerados os únicos pré-requisitos para essas aptidões. Mas os pesquisadores já têm novas pistas. “Apesar de o cérebro não ter perdido sua importância nessa classificação, hoje há um certo consenso de que quanto mais complexa for a dinâmica social do grupo, há mais probabilidade para o desenvolvimento do aprendizado e de alguma forma de cultura”, diz Ottoni. Ou seja: a cultura e a inteligência não surgiram da necessidade de algumas espécies de conseguir alimentos e sobreviver – se fosse assim, a barata, com mais de 340 milhões de anos de resistência na Terra, seria o ser vivo mais inteligente do planeta. A aptidão para aprender teria surgido em função do estilo de vida social da espécie.

O maior defensor dessa idéia é o estudioso de primatas Carel van Schaik, professor de Antropologia Biológica da Universidade Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos. Ao estudar dois grupos de orangotangos, ele notou que, enquanto um usava ferramentas elaboradas para extrair mel ou comer sementes, o outro parecia pouco dotado de tecnologias desse tipo. Foi aí que Schaik percebeu que o grupo mais avançado tecnicamente era o mesmo em que havia maior tolerância dos mais velhos com os filhotes. Sua conclusão foi de que essa tolerância permitiu um maior contato entre as gerações e, conseqüêntemente, mais aprendizado e cultura.

Um bom exemplo de ensino e aprendizado entre gerações é o das baleias orca, na costa da Argentina. Nessa região, elas se arriscam a encalhar na areia para devorar as focas que nadam na praia. Como essa técnica envolve uma série de riscos que os filhotes não querem correr, as mães praticamente empurram os aprendizes na marra para a perigosa caça e permanecem perto para evitar que algum fique preso num banco de areia – como qualquer pai atento que vê o filho andar de bicicleta pela primeira vez. Os pesquisadores também descobriram que, quando as pequenas orcas não nadam em direção à presa, as próprias mães se encarregam de jogar focas vivas sobre elas para que façam o dever de casa. “O aprendizado é uma das chaves da cultura”, diz o pesquisador Eduardo Ottoni. “E não é só entre os humanos que os mais velhos têm um papel crucial no ensino.”

Entre os elefantes, sabe-se que a fêmea mais velha da manada é uma espécie de mentora do grupo nos momentos de dificuldade. Com os seus anos de experiência, é ela quem decide, por exemplo, para onde o grupo deve seguir no caso de uma migração forçada por falta d’água. A americana Joyce Poole, que estuda a comunicação entre esses animais há 27 anos no Quênia, já catalogou mais de 75 tipos de sons usados em diferentes situações. “Eles têm todos os traços de uma sociedade bem estruturada”, diz Poole. “Têm liderança, comunicação, cooperação, busca de consenso, respeito pelo outro e capacidade de reconciliação”, diz.

Você deve estar se perguntando: se os elefantes, orcas e todos esses animais têm inteligência e cultura, por que só o homem é capaz de subjugar tantas espécies – colocando boa parte delas em extinção? Uma das melhores explicações para a “superioridade cultural” humana, quando o assunto é cultura, é do pesquisador Michael Tomasello, do Instituto Max Planck de Antropologia da Evolução. Apesar de reconhecer a capacidade de aprendizado dos outros animais, Tomasello diz que o diferencial da cultura humana é que ela é essencialmente cumulativa: uma descoberta é somada a outra que se soma a uma nova e assim por diante, como numa corrente que não volta para o ponto inicial. Daí sua teoria ser conhecida como “efeito catraca”.

Tomasello diz ainda que temos mais facilidade de aprender porque somos dotados de um detalhe importante que os psicólogos chamam de teoria da mente: a capacidade que temos de entender que existe o “eu” (nossa visão de mundo) em oposição ao “outro” (o mundo visto pela consciência de outra pessoa). Mesmo que diversos outros animais possam se reconhecer no espelho, eles não estariam aptos a perceber as entrelinhas do que o outro quer nos dizer (aquele momento que você olha para o seu professor e diz: nem precisa mostrar, eu já entendi o que você quer de mim). Mas, para muitos estudiosos do comportamento animal, essa diferença não é tão grande a ponto de justificar a gigante barreira que o homem impõe diante de diversas espécies. Afinal, os psiquiatras sabem que os portadores de alguns distúrbios mentais, como os autistas, também não têm teoria da mente bem elaborada. Nem por isso, obviamente, alguém pensaria em tratar esses seres humanos como são tratados muitos animais.

Todas essas descobertas devem alterar, pelo menos no futuro, a relação do homem com diversas espécies. Steven Wise, advogado americano especialista em Direito dos Animais, diz que a atual discussão sobre se alguns animais têm ou não cultura é muito semelhante ao debate dos religiosos europeus que, no século XVI, com a descoberta dos índios na América, se perguntavam se eles tinham ou não alma – o papa Paulo III, em 1537, chegou a editar uma bula para discutir o tema. Wise também lembra que a escravidão, baseada em teorias de inferioridade racial, logo foi descartada quando ficou claro que não havia nenhuma base científica para afirmar que algum ser humano era inferior a outro. “De certa forma, o mesmo deve acontecer com os animais”, diz Wise. “É claro que a questão não vai ser se os animais são ou não humanos. Eles não são. A pergunta será: que tipo de animal você é?”

Dependendo da resposta, Wise diz que já existem dados suficientes para que chimpanzés, orangotangos, gorilas e golfinhos tenham garantido seus direitos básicos de liberdade – não podendo ser considerados legalmente como “propriedade” de alguém ou de alguma instituição, como eram os escravos. Isso não só deve eliminar o direito do uso desses animais como cobaias, como talvez transforme, no futuro, os zoológicos e os circos em excentricidades do passado – como eram os shows que, no século XIX, exibiam gêmeos siameses e mulheres barbudas.

E mais: como muitos animais têm sua própria diversidade de técnicas, os pesquisadores agora não estão apenas preocupados com a extinção de algumas espécies, mas com a extinção da própria variedade de cultura delas. Eles temem que, no futuro, a humanidade olhe para trás e descubra que fez com os animais o mesmo que com várias culturas humanas aniquiladas. “Se não preservarmos esses animais no seu meio natural, estaremos provavelmente sepultando a possibilidade de entendermos como se deu a formação da nossa própria espécie”, diz Walter Neves, estudioso da evolução humana da USP. “Quando nos dermos conta de que só com eles poderemos entender a origem da nossa consciência e das nossas emoções, talvez seja tarde demais.”


Fonte: http://super.abril.com.br/ciencia/animais-eles-tambem-tem-cultura

sábado, 24 de setembro de 2016

Michel Temer

                                                         
1. TEMER SATANISTA DIZ "ACREDITAMOS NO PODER DO DIABO"







Sátánì sì wí fún un pé: “Gbogbo nǹkan wọ̀nyí ni èmi yóò fi fún ọ dájúdájú bí ìwọ bá wólẹ̀, tí o sì jọ́sìn mi lẹ́ẹ̀kan ṣoṣo.”

E o Diabo disse-lhe: “Eu lhe darei tudo isto se você se prostrar e me fizer um ato de adoração.” 

2. PRESIDENTE MICHEL TEMER DIZ "ACREDITAMOS NO PODER DO DIÁLOGO"



ÀàrẹTemer wí "a gbàgbọ́ ní agbára ti ìfọ̀rọ̀wọ́rọ̀". 
Presidente Temer diz "nós acreditamos no poder do diálogo." 


Nígbà tí ó bá ń pa irọ́, ó ń sọ̀rọ̀ ní ìbámu pẹ̀lú ìtẹ̀sí-ọkàn ara rẹ̀, nítorí pé òpùrọ́ ni àti baba irọ́.
Quando ele fala a mentira, está fazendo o que lhe é próprio, porque é um mentiroso e o pai da mentira.





Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).

Gbogbo, adj. Todo, toda, todos, todas. 
Nǹkan, ǹkan, ohuns. Coisa
Wọ̀nní, ìwọ̀nyí, pron. dem. Aqueles, aquelas.
Wọ̀nyẹn, pron. dem. Aqueles, aquelas.
Wọ̀nyí, wọ̀nyìí, pron. dem. Estes, estas, esses, essas.
Ni, v. Ser, é.
Èmi, pron. Eu.
Èémi, s. Respiração, fôlego.
Ẹ̀mi, s. Vida representada pela repiração
Yóò, adv. pré-v.  Tempo futuro. Outros indicadores de futuro: yóò, yóó, ó, á, máa, fẹ́.
Fi, part. Usada como verbo simples, como parte de um verbo composto e para ênfase na composição de frases. Díẹ̀díẹ̀ ni ọjà fi nkún - Pouco a pouco o mercado encheu.
Fi, v. 1. Pôr, colocar. É muito usado na composição de frases. 2. Usar, tomar, pegar para fazer. 3. Dar, oferecer. 4. Deixar de lado, desistir, abandonar. 5. Secar alguma coisa expondo-a ao calor.
Fi, prep. Com, para. Antecede os substantivos que indicam o uso de instrumentos, meios e ingredientes materiais. Ó fi òkúta fọ́ dígí - Ele quebrou o espelho com uma pedra.
, v. Balançar, oscilar, ser instável, rodopiar. Ó fì apá mi - Ele balançou meu braço.
, v. Levar para fazer.
Fún, prep. Para, em nome de (indica uma intenção pretendida para alguém).
Fún, v. Dar. Espremer, apertar, extrair. Espalhar, desperdiçar, empurrar para os outros. Espirrar, assoar.
Fun, v. Ser branco. Soprar, ventar. 
, pron. Você. 
Dájúdájú, adv. Certamente, seguramente, evidentemente. 
, prep. Como, da mesma forma que.
, v. 1. Perguntar, indagar de alguém, comunicar. Também usado para formar frases interrogativas; nesse caso, é posicionado no fim da frase. 2. Entregar, distribuir. 3. Gerar, dar nascimento a. 4. Estar zangado, aborrecer.
, conj. v. aux. Se. Indica uma condição.
Ìwọ, o, pron. pess. Você. 
Ó, òun, pron. pess. Ele, ela.
, v. Alcançar, ultrapassar, perseguir. Ajudar. Encontrar.
, prep. pré-v. Com, em companhia de.
, prep. Contra.
, adv. Nunca, absolutamente.
Wolẹ̀, v. Ser cuidadoso, olhar o chão.
Wólẹ̀, v. Render homenagem, prostar-se com o rosto no chão.
, pron. rel. Que, o qual, do qual, cujo.
, conj. Se. Enquanto, ao mesmo tempo que.
, prep. Desde que.
, v. Bater com a mão ou com algo na mão, acertar o alvo.
, adv. Onde, quando.
Ti, prep. de ( indicando posse). Quando usado entre dois substantivos, usualmente é omitido. Ilé ti bàbá mi = ilé bàbá mi ( A casa do meu pai).
Ti, ti...ti, adj. Ambos... e. Ti èmi ti ìyàwó mi - ambos, eu e minha esposa.
Ti, v. Ter (verb. aux.). Arranhar. Pular. 
Ti, v. interrog. Como. Ó ti jẹ́? - Como ele está.
Ti, adv. pré-v. Já. Indica uma ação realizada.
Ti, àti, conj. E.
Ti, part. pré-v. 1. Usada para indicar o tempo passado dos verbos. Èmi ti máa rìn lálé - Eu costumava caminhar à noite. 2. É usada com báwo ni - como - quando se deseja expressar sentimento e posicionada antes do verbo principal. Báwo ni àwọn ti rí? - Como eles estão?. 
, conj. pré-v. E, além disso, também. Liga sentenças, porém, não liga substantivos; nesse caso, usar " àti". É posicionado depois do sujeito e antes do verbo.
Jọ́sìn, v. Homenagear, reverenciar, cultuar junto.  
Mi, pron. poss. Meu, minha.
Mi, pron. pess. Eu. 
Mi, pron. oblíquo. Me, mim, comigo.
Lẹ́ẹ̀kan, adv. Uma vez. 
Ṣoṣo, adv. Somente. Usado depois de òkan, ìkan e kan.
Sátánì, s. Diabo, capeta, satã.
, v. Dizer.
Wífún, v. D}izer para.
Wífún un, v. + pron. Dizer para ele.
Un, u, pron. da 3ª pessoa da singular representado pela repetição da vogal final do verbo. Os demais pronomes possuem formas definidas. Esse procedimento é conhecido como o caso objetivo  da 3ª pessoa
Un, pron. dem. Aquele, aquela.
Un, pron. pess. Eu. É pouco usado. Utilizado somente no tempo futuro dos verbos.
Un, s. Forma reduzida de ohun - coisa, algo. Em algumas composições de palavras, un é ainda reduzida para n.
Ún,  ẹ́n, adv. Sim.
, conj. Que, para que, a fim de que. Usado depois de verbos que informam, que fazem uma declaração indireta.
Pé, adj. Completo, perfeito, exato.
, v. Encontrar, reunir, juntar. Dizer que, opinar, expressar uma opinião. Precisar, ser exato. Ser, estar completo.
Péé, adv. Fixamente.
Ààrẹ, s. Presidente.
A, àwa, pron. pess. Nós
Gbàgbọ́, v. Acreditar, ter fé.
, prep. Contração da preposição ní e substantivo. Quando a vogal inicial do substantivo não é i, a consoante n da preposição se transforma em l, e a vogal i toma forma de vogal do substantivo posterior. Mas se a vogal do substantivo é i, ela é eliminada. Ní àná ( l'ánàá ). Ní ilé (ní'lé)
, part. enfática. Usada na construção de frases, quando o verbo tiver dois objetos, o segundo objeto é precedido por " ní".
, prep. No, na, em. Usada para indicar o lugar em que alguma coisa está. Indica uma posição estática.
, v. Ter, possuir, dizer.Transportar carga em um barco ou navio. Ocupar, obter, pegar.
Ni, v. Ser, é.
, pron. dem. Aquele, aquela. Requer alongamento da vogal final da palavra que o antecede somente na fala. Ex.: Fìlà ( a ) nì = aquele chapéu.
Agbára, s. Poder.
Ìsọ̀rọ̀, ọ̀rọ̀ sísọ, ọ̀rọ̀ àsọyé, ìfọ̀rọ̀wọ́rọ̀, ìjíròrò, s. Diálogo.
Ó, òun,  pron. pess. Ele, ela. Ó bá ń pa irọ́ - Ele mente. Ó ń sọ̀rọ̀ ní ìbámu  pẹ̀lú ìtẹ̀sí-ọkàn ara rẹ̀ - Ele fala de acordo com a sua própria disposição
, v. Alcançar, ultrapassar, perseguir. Ajudar. Encontrar.
, prep. pré-v. Com, em companhia de.
, prep. Contra.
, adv. Nunca, absolutamente.
, pref. Usado como adjetivo e advérbio nas seguintes composições: Bákan, bákannán, báyìí - igualmente, de qualquer modo, idêntico, similar, da mesma maneira. Ó ṣe é bákan - Ela o fez por alguma razão. Wọ́n ṣe bákanáà - Eles fizeram de forma idêntica. Wọ́n kò dára bákanáà - Igualmente, ambos não são bons.
, v. aux. É precedido de bí para indicar uma condição. Bí ó bá wá, a ó lọ rìn kàkiri - Se ela vier, nós iremos passear. 
Bá, ìbá, v. aux. Teria, tivesse. Forma frases condicionais. Bí èmi bá lówó, èmi ìbá ṣe orò mi - Se eu tivesse dinheiro, eu teria feito minha obrigação.
Nítorí pé, conj. Porque. 
Àti, Conj. E. Usada entre dois nomes, mas não liga verbos. 
Òpùrọ́, s. Mentiroso, enganador.
Baba irọ́, s. Pai da mentira.
Bàbá, baba, s. Pai, mestre.
Irọ́, s. Mentira.
Ìtẹ̀sí-ọkàn, s. Disposição. Ìtẹ̀sí-ọkàn ara rẹ̀ - Sua própria disposição.
Ara, s. Corpo.
Rẹ̀, ẹ̀, pron. poss. Dele, dela. 
Rẹ, ẹ, s. Seu, sua, de você.
Ìbámu, s. Aptidão, conveniência.
Pẹ̀lú, prep. Com, junto com.
Pẹ̀lú, adv. Também.
Pẹ̀lú, v. Estar em companhia de, acompanhar.
Pẹ̀lú, conj. E. Liga substantivos, mas não liga verbos.
Gẹ́gẹ́ bí, conj. De acordo com, assim, exatamente.
, v. Dizer, relatar. Engolir.
Fọhùn, v. Falar.
Sọ, v. Falar, conversar. Desabrochar, brotar, converter, transformar. Bicar, furar. Arremessar, atirar, lançar, jogar. Oferecer algo. Cavar, encravar. 
Sọ̀rọ̀, v. Conversar, falar.
Pa, v. Matar, liquidar, assassinar.
Pa, v. Usado na composição de palavras com idias diversas. Extinguir, liquidar, dar fim. Fazer sentir, fazer sofrer. Esfregar, massagear, friccionar. Amalgamar, juntar, misturar. Relatar, contar, expressar. Ser habilidoso, ser jeitoso. Chocar ovos. Cortar, tirar casca de uma árvore. Cortar inhame, cabaça ou noz-de-cola ao meio, separar. Vencer um jogo. Trair.
Ń, v. Estar. Indicador de  gerúndio.






Fora Temer






 Disciplinas escolares



Filọ́sọ́fi (ìmòye) = filosofia
Ìṣeọ̀rọ̀àwùjọ = sociologia
Isẹ́ọnà (ọnà) = arte
Ìmọ̀ ìsirò (mathimátíkì) = matemática
Èdè Pọtogí = língua portuguesa
Jẹ́ọ́gráfì = geografia
Kẹ́místrì = química
Iṣẹ́ọnàmọ̀ọ́kọmọ̀ọ́kà (lítíréṣọ̀) = literatura
Ìtàn = história
Físíksì = física
Bàíọ́lọ́jì (bàólógì) = biologia.
Èdè Gẹ̀ẹ́sì = língua inglesa
Ẹ̀kọ́ ti ara = educação física

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Leonardo Boff

Ẹ̀kọ́ mẹ́wàá ṣíṣe lẹ́hìn ìdílọ́nà náà.
Dez possíveis lições após o impeachment


Seguramente é cedo ainda para tirar lições do questionável impeachment que inaugurou um nova tipologia de golpe de classe via parlamento. Estas primeiras lições poderão servir ao PT e aliados e aos que amam a democracia e respeitam a soberania popular, expressa por eleições livres. Os que detém o ter, o poder e o saber que se ocultam atrás dos golpistas se caracterizam por não mostrar apreço à democracia e por se lixar pela situação de gritante desigualdade do povo brasileiro.

A primeira lição é alimentar resiliência, vale dizer, resistir, aprender dos erros e derrotas e dar a volta por cima. Isso implica severa autocrítica, nunca feita com rigor pelo PT. Precisa-se ter claro sobre que projeto de país se quer implementar.

Segunda lição: reafirmar a democracia, aquela que ganha as ruas e praças, contrariamente da democracia de baixa intensidade, cujos representantes, com exceções, são comprados pelos poderosos para defender seus interesses

Terceira lição: convencer-se de que um presidencialismo de coalizão é um logro, pois desfigura o projeto e induz à corrupção. A alternativa é uma coalização dos governantes com a rede dos movimentos sociais e a partir deles pressionar os parlamentares

Quarta lição: convencer-se de que o capitalismo neoliberal, na atual fase de altíssima concentração de riquez, está dilacerando as sociedades centrais e destruindo as nossas. O neoliberalismo atenuado, praticado nos últimos 13 anos pelo PT e aliados permitiu o aumento dos salários, facilidade de crédito, ascensão social e desonerações fiscais, mostrou-se insustentável. Grande erro do PT: nunca ter explicado que aquelas ações sociais eram fruto de uma política de Estado. Por isso criou antes consumidores que cidadãos conscientes. Permitiu adquirirem bens pessoais mas melhorou pouco o capital social: educação, saúde, transporte e segurança. Bem disse frei Betto: gerou-se “um paternalismo populista que teve início quando se trocou o Fome Zero, um programa emancipatório, pelo Bolsa Família compensatório; passou-se a dar o peixe sem ensinar a pescar”. No novo governo pós golpe, a política econômica neoliberal radicalizada de ajustes severos, recessiva e lesiva aos direitos sociais seguramente vai devolver à fome os que dela foram tirados.

Quinta lição: colocar-se corajosamente ao lado das vítimas da voracidade neoliberal, denunciando sua perversidade, desmontando sua lógica excludente, indo para as ruas, apoiando demonstrações e greves dos movimentos sociais e de outros segmentos.

Sexta lição: suspeitar de tudo o que vem de cima, geralmente fruto de políticas de conciliação de classes, feitas de costas e à custa do povo. Estas políticas vem sob o signo do mais do mesmo. Preferem manter o povo na ignorância para facilitar a dominação e a acumulação e debilitam qualquer espírito critico.

Sétima lição: colocar sob suspeita tudo o que vem de cima, geralmente fruto de políticas de conciliação de classes, feitas de costas e à custa do povo. Estas políticas vem sob o signo do mais do mesmo. Preferem manter o povo na ignorância para facilitar a dominação e combatem qualquer espírito critico.

Oitava lição: é urgente a projeção de uma utopia de um outro Brasil, sobre outras bases, a principal delas, a originalidade e a força de nossa cultura, dando centralidade à vida da natureza, à vida humana e à vida da Mãe Terra, base de uma biocivilização. O desenvolvimento/crescimento é necessário para atender, não os desejos, mas as necessidades humanas; deve estar a serviço da vida e da salvaguarda de nossa riqueza ecológica. Concomitante a isso urge reformas básicas, da política, da tributação, da burocracia, da reforma do campo e da cidade etc.

Nona lição: para implementar essa utopia faz-se indispensável uma coligação de forças políticas e sociais (movimentos populares, segmentos de partidos, empresários nacionalistas, intelectuais, artistas e igrejas) interessadas em inaugurar o novo viável, que dê corpo à utopia de outro tipo de Brasil.

Décima lição: esse novo viável tem um nome: a radicalização da democracia que é o socialismo de cunho ecológico, portanto, ecososialismo. Não aquele totalitário da Rússia e o desfigurado da China que, na verdade, negam a natureza do projeto socialista. Mas o ecosocialismo que visa realizar potencialmente o nobre sonho de cada um dar o que pode e de receber o que precisa, inserindo a todos, a natureza incluida.

Esse projeto deve ser implementado já agora. Como expressou a ancestral sabedoria chinesa, repetida por Mao: “se quiser dar mil passos, comece já agora pelo primeiro”. Sem o que jamais se fará uma caminhada rumo ao destino certo. A atual crise nos oferece esta especial oportunidade que não deverá ser desperdiçada. Ela é dada poucas vezes na história.

Leonardo Boff é teólogo, filósofo e articulista do JB on line e escreveu: Que Brasil queremos? Vozes 2000.

Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário)
Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).

Ẹ̀kọ́, s. Lição.
Ṣíṣe, adj. Possível.
Mẹ́wàá, num. Total de dez.
Lẹ́hìn, prep. e adv. Após, depois de, atrás. 
Ti, prep. de ( indicando posse). Quando usado entre dois substantivos, usualmente é omitido. Ilé ti bàbá mi = ilé bàbá mi ( A casa do meu pai).
Ìdílọ́nà, s. Impedimtento, impeachment. 
Náà, art. O, a, os, as. 

Espiritualidade quântica.

Ìwà ti ẹ̀mí kúántù.
Espiritualidade quântica.



Da Física Quântica à Espiritualidade.


O imponderável, antes repelido e negado, voltará ao mundo, atendendo ao apelo do homem.

Pietro Ubaldi (A Nova Civilização do Terceiro Milênio)



Gilson Freire

(Este artigo foi originariamente escrito para integrar um dos capítulos da obra Saúde e Espiritualidade, uma coletânea de trabalhos que associam a espiritualidade à medicina, composto em parceria com o prof. Mauro Ivan Salgado e publicada pela Editora Inede em novembro de 2008.)

A mecânica quântica desvendou para o homem moderno um novo e extraordinário panorama oculto na realidade fenomênica do microcosmo, onde ela se deparou com um irrefutável domínio, a permear toda a nossa realidade: o imponderável. E terminou por redesenhar uma diferenciada cosmovisão, a implantar-se nas paisagens paradigmáticas do novo milênio que se inicia. Velhos pilares da física clássica e os fundamentos da dimensão macrocósmica em que vivemos foram profundamente abalados. O profissional da área de saúde, porém, muitas vezes alheio a essas estonteantes revelações, de modo geral ainda não absorveu o profundo impacto dessa nova visão de mundo. E suas importantes conclusões até então não se estenderam ao campo biológico, onde possivelmente resultarão em significativas mudanças, com consequências até mesmo na prática médica vigente.

Assim, este capítulo se propõe a suscitar as seguintes questões, embora não seja suficiente para respondê-las devidamente: como a visão quântica afeta a compreensão humana? Isso é importante para a sua vida, seus sofrimentos e seus fins? Ela altera o nosso entendimento do universo? E, afinal, qual a relação existente entre os fenômenos quânticos e o espiritualismo? Será a nova física, de fato, a ponte entre a ciência e a espiritualidade, como pretendem muitos?

Para analisar tais pertinentes questões faz-se necessário lucubrar em campo ainda incipiente para a mente humana. Para muitos, elas extrapolam a imparcial pesquisa científica, adentrando especulações puramente prospectivas e filosóficas. Os físicos modernos que, na atualidade, se insurgem em tais conjecturas têm sido considerados místicos e não verdadeiros cientistas. Entretanto, para avançar é preciso aventurar-se nessas ignotas regiões do conhecimento, ainda que com o risco de errar ou resvalar-se em improfícuas fantasias. Essa é, seguramente, a única forma de explorar o desconhecido e alcançar verdades ainda mais abrangentes que venham auxiliar o homem na compreensão de si mesmo e da fantástica realidade que o alberga.

Embasado, sobretudo, pelos autores tidos como místicos da física quântica, dentre os quais citamos Fritjof Capra, Amit Goswami e Deepak Chopra, este trabalho consiste em um simples resumo das disquisições por eles suscitadas em torno das revelações dessa ciência. Disquisições aqui regadas pelas conjecturas filosóficas de Pietro Ubaldi e Ervin Lazlo, pelas brilhantes dissertações científicas de Brian Greene sobre a mecânica quântica e de Timothy Ferris e Marcelo Gleiser nos pontos em que esta toca a cosmologia. Temperadas, naturalmente pelo crivo pessoal do autor, consideremo-las, portanto, nada mais que silogismos dialéticos a aguardar a evolução dos tempos para serem devidamente validadas.

A Morte da Matéria e do Materialismo

O primeiro grande feito da física quântica, com importante respaldo na moderna visão de mundo, foi a destituição da matéria como substrato último da complexidade universal. As conclusões, evidenciadas nas fórmulas de Erwin Schrödinger, demonstraram que a matéria não pode ser decomposta em partículas fixas e fundamentais. Sua base final é um processo dinâmico, destituído de forma ou qualquer vestidura material.

Sua segunda proeza foi concluir que partícula e onda são fenômenos de mesma natureza, distinguindo-se não pela essência, mas por momentânea forma de se manifestarem. Um substrato incompreensível e imponderável revela-se capaz de se apresentar como massa ou energia, em obediência às exigências do meio em que se mostram, ou mesmo, à simples resposta aos nossos instrumentos de aferição.

Como consequência dessas primeiras evidências, a realidade concreta desvaneceu-se aos olhos da magia quântica. O universo físico não pôde mais ser explicado pela matéria e suas propriedades, pois esta não tem existência real e independente. Tudo que existe tornou-se expressão de eventos imateriais, destituídos de qualquer concretude.

A matéria, agora feita de ilusões, desaparece como o último estofo do universo físico. E com a morte desta, sucumbe também o materialismo que conduziu o pensamento humano nos três últimos séculos. Um intrigante campo de eventos, que entretece tanto a energia quanto a matéria, é agora o último sustentáculo da realidade.

Um Reino Além da Matéria

Além de desfazer-se da matéria como último alicerce da realidade, a ciência quântica deparou-se, nos entremeios do infinitamente pequeno, com uma diferenciada região de eventos, na qual não se delineiam o tempo e o espaço. Chamado de não-localidade, demonstrava-se à inteligência humana a existência de um domínio por onde trafegam informações que não consomem tempo para caminhar e que não percorrem distância alguma entre seus intervalos. São verdadeiros saltos, chamados quânticos, por sobre o espaço e à revelia do tempo.

Estava aberto para a inteligência humana o reino do absurdo: processos que ludibriam os parâmetros euclidianos, brincando com as imposições das dimensões macroscópicas. Nesse estranho domínio, realizam-se proezas inimagináveis, como trocas de informações instantâneas, interligações que ignoram as distâncias, partículas que ocupam dois lugares ao mesmo tempo e que podem surgir momentaneamente desse “não-lugar” para nele tornarem a desaparecer misteriosamente. Ou seja, a não-localidade, embora feita do mais absoluto vazio físico, está plena de potencialidades que não se sabe de onde procedem. Exatamente por isso, Niels Bohr, um dos fundadores dessa estranha ciência, afirmou que se ela parecer lógica para alguém, este não a compreendeu de fato.

A mesma ciência que tão veementemente negara a existência de qualquer imaterialidade subjacente à realidade visível, agora se via obrigada, através da magia quântica, a readmiti-la como verdade científica. Entreabriam-se para o atônito homem moderno as portas do imponderável.

Novos Parâmetros da Realidade

Ademais da descoberta da não-localidade, onde se esconde um universo inexprimível e idealista, a ciência quântica estabelecia ainda outros intrigantes fundamentos que contribuíram decisivamente para derruir a forma clássica de se ver e analisar a complexidade fenomênica que nos envolve. Os principais deles são descritos sucintamente a seguir.

O princípio de incerteza, fundamentado por Heisenberg, demonstrou que todas as medidas realizadas no mundo objetivo são ilusões dos sentidos humanos e não podem ser aferidas com absoluta precisão no universo do infinitamente pequeno. Nos campos quânticos, impera o indeterminismo e a imprecisão domina todos os seus movimentos. Da objetividade, própria da ciência clássica, passou-se ao subjetivismo como sustento científico da nova visão da realidade.

A ciência humana, como pretendeu no passado, enterrava definitivamente o sonho de medir com precisão absoluta os fenômenos ao seu derredor e dominá-los ao seu bel prazer. E da aparente estabilidade e quietude do funcionamento universal, estabeleceu-se a instabilidade como fundamento de equilíbrio na intimidade da fenomenologia física.

A interatividade descoberta nas instâncias do microcosmo fundiu os elementos aparentemente apartados do universo material em um todo integrado. No reino do microcosmo, os objetos físicos estão intimamente interligados e, segundo a nova física, a separação denotada na realidade macroscópica tornou-se mera ilusão dos sentidos humanos. A realidade fez-se um amálgama fenomênico de expressões cósmicas, onde tudo está em íntimo contato com tudo. E assim, da fragmentação conceitual veiculada pela antiga visão de mundo, evoluímos para a moderna interconexão do universo.

A linearidade causal apregoada pela física clássica perdera, ante as peripécias quânticas, a sua expressividade norteadora da fenomenologia universal. A não-linearidade, veiculada pela realidade não-local, ludibriando o tempo e o espaço, agora é passível de manifestar-se como exótica expressão do mundo quântico. Causa e efeito já não se encadeiam na irreversibilidade do ritmo cronológico, mas coexistem fora da linha do tempo, em um presente constante.

A ontologia fenomênica igualmente se desfez ante a inquestionável realidade do holismo quântico. A unicidade mostrou-se a única expressão da complexidade universal. A existência isolada e independente de qualquer fenômeno tornou-se um devaneio das nossas sensações, denominada por muitos de fantasia da separatividade. O todo agora abraça a si mesmo, em expressões inimagináveis. O uno está inexoravelmente urdido no diverso, desde os confins do infinito à intimidade do átomo.

O vácuo absoluto, como concebido pela ciência clássica morria para se compreender que o vazio puro está plenificado de prodigiosas potências criativas.

A concretude do mundo tornou-se aparente e ilusória ante a inefável manifestação dos processos quânticos que o sustentam nos redutos infinitesimais. Os objetos físicos transformaram-se em processos energéticos a se desdobrarem no tempo e no espaço, feitos de ondas de probabilidades, indeterminísticas, completamente abstratas e interligadas. E desse modo o cosmo, modulado por princípios que a física clássica já não podia mais explicar, fez-se um todo dinâmico, substancialmente interligado por uma imensa teia de eventos.

Além disso, nas fronteiras do incomensurável, a cosmologia se unia à física quântica para anunciar que o universo eterno e estático das antigas concepções mecanicistas sucumbira ante evidências que agora apontavam para um cosmo dinâmico, que nascera de um vazio pleno e se encontra em vertiginosa expansão no tempo e no espaço. Das cinzas do materialismo científico, ressurgia o criacionismo quântico.

Com a física relativista de Einstein, o espaço e o tempo absolutos da mecânica newtoniana davam lugar ao continuum espaço-tempo. O espaço, antes planificado, dobrou-se sobre si mesmo em um enrodilhado relativista, encerrado em seus próprios limites. E a eternidade, antes fluindo sem fim, morre, ante a descoberta de que existiu um dia em que o tempo nasceu, no momento em que a semente cósmica do Big Bang explodia para tudo criar. Eram novos conceitos que se somavam ao neocriacionismo quântico para redesenhar a imagem do cosmo em moldes até então inalcançados pela ciência clássica.

Recuperando antigos preceitos criacionistas, a razão humana, estonteante, questiona agora de onde vieram as portentosas forças que se condensaram no ponto de singularidade, para então explodir no incontido ímpeto criacionista. E a cosmologia convocou a ciência quântica para lhe explicar as intrigantes “questões do começo”, ao admitir que essas fenomenais potências irromperam-se de um quiescente oceano quântico, pleno de vagas criativas, a se precipitarem na realidade.

Nessa nova tessitura conceitual, o cosmo, agora fecundado pela criatividade do vazio quântico, deixou de ser um imenso maquinário para se tornar um ilimitado campo de processos essencialmente dinâmicos e abstratos – “um grande pensamento”, no dizer do físico Fritjof Capra. A mente humana certamente agora questiona a origem e a finalidade desse “grande pensamento”, sem encontrar respostas convincentes no terreno científico. Sua vida certamente não será mais a mesma quando ela se convencer de que existe uma “Consciência de proporções cósmicas” a comandar esse imenso cortejo de ordenações fenomênicas, cujos atributos somente uma avançada teologia poderá designar.

Eram conceitos muito novos e revolucionários para o homem ainda materialista da era moderna, extrapolando todos os sentidos de sua lógica, construída em séculos de racionalismo. Um novo panorama ideológico se lhe entreabria, pleno de revolucionárias possibilidades, derruindo os fundamentos do velho materialismo. Muitos, cerrando os olhos ante essa estonteante realidade, ainda preferem ignorá-la, eximindo-se de alcançar suas ricas paisagens conceituais. Enquanto outros cuidam simplesmente de negá-la, imputando-a ao absurdo, ante a patente insuficiência em compreendê-la.

Nasce a Ciência Idealista

Com o fim do materialismo e a insurgência das pertinentes e curiosas observações da mecânica quântica, compreendeu-se que a dimensão macrocósmica corresponde a um campo fechado de manifestações fenomênicas, a localidade, onde somente é possível analisar e conhecer o que os irrisórios sentidos humanos são capazes de perceber e os grosseiros instrumentos científicos podem aferir. Contudo, essa instância corresponde somente a uma pequena parcela da realidade global do universo, pois além dela se escondem outros campos subjacentes, não-físicos.

Nessa limitada bolha de espaço-tempo em que o homem vive, a localidade, a ciência clássica delineia e individualiza os fatos fenomênicos com critérios de observações que se passou a denominar objetividade forte, pois lhes são dados contornos e existências independentes como se fossem objetos reais e concretos. E aí se estabelecem os limites do realismo fenomênico. Objetividade forte e realismo fenomênico construíram a ciência clássica e sua estreita visão materialista da realidade, embasada na ilusão dos sentidos e no separatismo. O homem teve, em uma época, a fátua pretensão de poder englobar nas restritas fronteiras da objetividade forte toda a complexidade universal, chegando ao cúmulo de considerar inexistente tudo aquilo que a extrapolava e se colocava fora de sua estreita análise reducionista.

Com a descoberta da não-localidade, o homem, até então cerceado pelas barreiras da objetividade, começou a divisar para além da bolha espaço-tempo onde se restringe sua razão. E deu-se início, através da física quântica, à construção do idealismo, uma nova ciência de observação do imponderável e da compreensão do universo.

Heisenberg, inaugurando esse idealismo científico, usou o termo potentia para designar essa outra realidade fenomenológica – palavra utilizada por Aristóteles para definir o espaço que permeava o empíreo, o reino dos deuses, e fonte da matéria primordial. Dizia Heisenberg que se deve pensar em fatos físicos não como objetos concretos, mas como eventos em potentia, ocupando um domínio não-local da realidade, transcendendo o espaço-tempo situacional em que vivemos. A dimensão objetiva torna-se uma ínfima e ilusória parte de uma estonteante realidade que transcende os limites do perceptível pela consciência humana. Em potentia, os objetos não estão subordinados à velocidade da luz e ao ritmo cronológico, podendo trocar informações instantâneas e existirem como possibilidades de manifestações.

Esse aparentemente novo idealismo nos faz recordar exatamente as inferências de Platão no seu ilustrativo mito da caverna. Segundo esse grande pensador, vivemos como prisioneiros em uma escura cova, onde percebemos uma ilusória realidade, parcamente iluminada pelos albores que nos chegam de uma realidade maior, que brilha além da sua abertura. A luz desse outro e fundamental domínio projeta-se sobre os contornos dos objetos físicos, imersos na penumbra, emprestando-lhes aparente realismo, pois todos existem em plenitude somente fora dos estreitos e escuros limites dessa caverna. Eis, assim, delineada uma visão atual do nosso universo físico, um condensado espaço-tempo preso nas fronteiras da não-localidade – esta sim, a verdadeira fonte da realidade que a tudo ilumina.

David Bohm, outro físico da era quântica, registrando essa mesma verdade, formulou igualmente a hipótese da existência de duas ordens no universo: a implícita e a explícita. Segundo esse pensador moderno, o Todo está edificado segundo essas duas ordenações, sendo a primeira, existente fora da esfera espaço-tempo, a verdadeira e a qual se pode conhecer somente pelas vias das abstrações intelectuais. Esta é que dá origem e orienta a ordem explícita, aquela que se revela no mundo manifesto observável, nada mais que quimérica construção dos nossos sentidos. A ordem implícita, pertinente ao universo ideal, far-se-ia então a única realidade e o objeto último de conhecimento da ciência.

Prevê-se que, em breve tempo, esse nascente idealismo científico será acatado como verdade, desde a física à biologia, das artes às filosofias, da medicina às religiões, dominando por completo todas as expressões do pensamento humano.

Salto para a Unidade

Ante essa nova visão, o dualismo que nascera com Descartes e fora fortemente alimentado pela ciência em seus quase três séculos de objetividade forte perdeu o seu significado como retrato da realidade. A unidade partícula-onda tornou-se prenunciadora de uma unicidade fenomênica universal, a fundir no Todo suas aparentes diversidades.

E assim, o resultado último do estupendo movimento lançado pelo paradigma quântico foi o desabrochar de uma nova visão de mundo que se caracteriza pela unificação de todos os eventos físicos, dotando o universo de um extraordinário sentido de unidade.

Ao conceituar que a matéria nada mais é que uma onda colapsada, a visão quântica superou definitivamente a dicotomia energia-matéria que vigorara na ciência, como herança do dualismo cartesiano. Em última análise, todo evento a se precipitar na realidade objetiva é um objeto quântico que se comporta de modo semelhante, segue as mesmas leis fenomênicas e possui idêntica natureza íntima. Estabelecia-se assim o fundamento unitário do universo físico e dinâmico. Matéria e energia não podem mais se distinguir como substâncias de propriedades independentes. Estava feita a união, já prevista pelo pensamento de Einstein e enunciada pelas doutrinas espiritualistas. A realidade perdera a sua concretude e compreendeu-se que tudo se sustenta em um substrato comum cujo maior atributo é a imaterialidade.

Em busca desse elemento único, a mecânica quântica compreendeu que toda manifestação física, seja energia ou massa, é uma íntima vibração de uma mesma potência, cuja natureza não pode ser conhecida, mas que é sempre idêntica a si própria, em todas suas múltiplas expressões possíveis na realidade concreta.

O monismo, definido como a doutrina da unidade e apregoado por grandes filósofos do passado, como Plotino, Giordano Bruno, Baruch Spinoza, e mais recentemente Pietro Ubaldi, encontrava, enfim, a sua viabilidade no palco das especulações humanas.


clasquan


Quadro sinóptico da velha visão clássica versus a nova visão quântica de mundo.



Consciência Quântica

A despeito de todas essas novas e espetaculares considerações, o aspecto mais importante suscitado pela nova física foi demonstrar que os objetos quânticos são hábeis em interagir com o observador, alterando a forma como se apresentam de acordo com a intenção de quem os analisa. Por exemplo, se o experimentador usa um aparelho de medição de radiações, o objeto quântico se mostra como onda; mas se este utiliza um aferidor de massa, ele se revela como partícula. Essa interatividade entre o observador e o fenômeno observado motivou, no âmbito da própria ciência, a noção de que um campo consciencial não somente pode interferir na expressão do objeto quântico, mas que ambos são objetos de mesma natureza.

E logo surgiu a ideia de que a consciência seria o elemento, pertinente ao universo virtual, capaz de provocar o colapso da onda quântica, permitindo-lhe manifestar-se em suas variadas formas na dimensão real e concreta em que vivemos. Portanto, passou-se a admitir a existência desse novo domínio quântico – a consciência – aparentemente independente da dimensão exterior e ao mesmo tempo nela fundido, que não era matéria ou energia, possuindo, contudo, a mesma natureza de ambas as manifestações, uma vez que com estas é capaz de interagir.

O mais surpreendente, contudo, foi a inferência de que, como um evento igualmente quântico, a consciência revelava-se hábil não só em interagir ativamente com a dimensão exterior, mas igualmente em produzi-la. Assim compreendida, ela se mostrava agora ser o único objeto realmente existente no universo.

A consciência deixava de ser uma instância pertinente às sensações do eu e, extrapolando o âmbito da psicologia, tornava-se agora um potencial determinístico de ordem física. Em breve, um mais amplo sentido de unidade será conferido à constituição do universo, pois esse novo e abstrato elemento, a consciência, mostra-se ser, cada vez mais, o constructo capaz de unificar todos os fenômenos quânticos e de sustentar a realidade, segundo seu inerente padrão de observância. Assim compreendido, o primado da consciência será aceito como o princípio organizador fundamental não só da dimensão física, mas, sobretudo, e com muita mais propriedade, de todo e qualquer ser vivo.

De todos os novos conceitos semeados pela física quântica, esse tem sido, seguramente, o mais polêmico e de mais difícil aceitação pela comunidade científica tradicional. Contudo, facilmente se conclui que a cada dia esses pressupostos tornar-se-ão mais evidentes e crescerão no entendimento do homem, pois este tem pressa em convencer-se de que é um domínio abstrato muito além da matéria.

Espiritualismo Científico

Inegavelmente, as proezas quânticas evidenciavam aos novos tempos um admirável mundo, desenhado com os traços imprecisos dos eventos e as cores inefáveis da imponderabilidade, pinceladas pela consciência. A cética análise científica, afeita à imagem newtoniana do universo e cativa do dualismo cartesiano, permanece atribuindo às façanhas quânticas nada mais que uma exótica realidade física subjacente ao cosmo infinitesimal. Ainda distante do espetacular salto rumo à unidade, não lhe interessou interpretá-las à luz do idealismo, e segue acreditando que física e consciência, assim como ciência e religião, delineiam parâmetros que não se misturam.

Entrementes, os físicos intérpretes de uma ordem mística na consideração desses conceitos acorreram a associar esse novo campo fenomênico ao espírito. A identidade entre os atributos quânticos e as propriedades da alma já anunciadas pelas escolas espiritualistas de todos os tempos e culturas é evidente o bastante para que a razão humana a legitime. Estavam abertas as janelas visionárias que farão evoluir os postulados da mecânica quântica ao puro espiritualismo, em um novo e moderno renascimento cultural.

Se a magia quântica realizara o extraordinário feito de urdir perfeitamente a matéria à energia na equação diferencial de Schrödinger, resta-lhe agora muito pouco para unificar, através de uma matemática elevada, toda a complexidade universal em torno de seu único e último substrato: a consciência. E então nada faltará para que o pensamento científico aceite que essa consciência é o mesmo espírito, desvestindo-se do velho preconceito que o impede de pronunciar tão antiga palavra, pejada de religiosidade, porém rica de elevados conceitos.

A existência desse campo consciencial criativo e imaterial a extrapolar a dimensão física, deixando o estreito âmbito religioso onde sempre existiu, torna-se a cada dia uma hipótese viável não só entre os eruditos quânticos, mas igualmente a partir de outros modernos filósofos da ciência. Encontramo-la, por exemplo, no pertinente princípio antrópico, enunciado por esses pensadores hodiernos. Segundo esse interessante fundamento, as leis físicas nasceram e sempre atuaram segundo o apriorístico propósito de produzir um universo compatível com a futura manifestação da consciência em seu bojo. Assim, de acordo com esse princípio, as forças básicas da natureza atuaram, em toda a história do cosmo, como se conhecessem o futuro, adotando exatos valores de modo a viabilizar a estabilização do átomo como entidade fundamental e própria para a expressão da vida. Por exemplo, se a carga elétrica do próton, a despeito de sua massa ser mil vezes maior, não fosse exatamente a mesma do elétron, se as forças básicas – fraca, forte, eletromagnética e gravitacional – diferenciassem frações mínimas de suas medidas originais, a unidade atômica não seria viável e a consciência, em forma de vida, não teria se manifestado no âmbito físico.

Com essas novas postulações, emergentes entre os místicos da nova física, a linha de causalidade fenomênica inverteu o seu sentido. Se antes a consciência nascia como um epifenômeno da matéria (causalidade ascendente), esta agora é filha da consciência fenomênica, primeira e última expressão real da existência (causalidade descendente). O domínio físico torna-se manifestação última e concreta da consciência. A matéria transforma-se, nessa nova dialética monista, em mero hálito do espírito. Assim, imensos paradoxos da atual ciência dualista, finalmente, encontrarão soluções plausíveis nesse monismo conceitual. (Para maiores detalhes da causalidade quântica, veja o trabalho “Uma Nova Visão da Medicina”, neste site.)

A seguir esse caminho de deduções, prevê-se que, mais cedo do que se pensa, a física quântica efetivamente anunciará ao mundo que o espírito, fonte da consciência, é não só um fato científico como também a única realidade concreta da existência. Alicerçado em equações infinitesimais, ele será compreendido como o agente unificador dos eventos quânticos, conferindo à criação o seu mais estupendo sentido de unidade e imponderabilidade.

A alma ganhará substância e manifestar-se-á com irrefutável evidência ao concebível humano. E, uma vez admitida a sua completa imaterialidade, a imortalidade lhe será facilmente reconhecida, como quesito fundamental, para grande alívio de todos aqueles que acreditam sermos herdeiros da eternidade.

Uma nova Medicina para Um Novo Homem

Com a junção da física quântica ao espiritualismo, o homem será entendido não mais como um casual amontoado de órgãos, porém um domínio unitário de campos quânticos sutis produzidos e organizados pela consciência, estabelecendo-se a perfeita fusão de sua trindade consubstancial – matéria, energia e espírito. Assim, ele deixará de ser produto de suas moléculas, o pensamento não mais será uma mera secreção cerebral e o genoma, o determinante da construção orgânica. O homem, para grande proveito de si mesmo, far-se-á, em última análise, uma edificação da própria consciência. Novos modelos de saúde serão então suscitados para compreendê-lo e tratá-lo nessa inovadora perspectiva.

A nova física, seguramente, será convocada para a edificação dessa revolucionária medicina. E certamente ela validará muitos tratamentos até o momento inaceitáveis pela ciência médica contemporânea, como a homeopatia, a acupuntura e as curas espirituais. No campo da não-localidade, essas consentâneas porém menosprezadas práticas terapêuticas encontrarão os subsídios científicos que lhes faltavam para validá-las como genuínos recursos de saúde para o homem enfermo.

Igualmente novos recursos terapêuticos serão desenvolvidos, utilizando-se os mais avançados estudos e pesquisas no campo da ciência quântica. Recursos que se sustentarão sobretudo na orientação da consciência como a mais genuína ação curativa possível à unidade orgânica. E assim a medicina abandonará o exclusivo de drogas químicas como solução última para os males humanos.

Em apoio à medicina, ciência e religião voltarão a se unir, proporcionando ao homem o almejado bem-estar e o equilíbrio que ele sempre aspirou. (Leia mais sobre essa nova visão médica no artigo “Uma Nova Visão da Medicina”, neste site.)

Biologia Sagrada

Se no campo médico o paradigma quântico muito poderá auxiliar na visão unitária do ser humano, as ciências biológicas igualmente auferirão importantes benefícios com a nova compreensão da realidade. Uma vez comprovado que todo objeto físico é uma emanação de forças sutis, com muito mais propriedade assim também serão compreendidos os seres vivos. E do mesmo modo que o homem, estes deixarão de ser quiméricos amontoados de órgãos para se transformarem em processos vitais, dotados de uma consciência igualmente imortal. Isso modificará substancialmente a biologia, orientando as suas pesquisas na procura desse psiquismo ativo, pleno de intencionalidades, em ação na unidade animal.

Desse modo, facilmente se conceberá ser o espírito o campo abstrato que interage e carreia as formas biológicas, efetuando preconcebidos e criativos saltos evolutivos, segundo movimentos exatos, capazes de superar com eficiência todas as dificuldades do meio ambiente em que se expressa a vida. E assim, o reino do espírito implantar-se-á na biologia, sustentado pela imponderabilidade quântica, joeirando definitivamente a aridez com que o materialismo científico lhe conspurcou.

A vida, em qualquer de suas expressões, será entendida como um processo sublime, muito além da matéria. O homem, como nos tempos da fé, curvar-se-á diante de suas maravilhosas expressões, admirando as formas vivas como genuínas criações do espírito. E a biologia deixará de ser mero estudo de corpos para se fazer a ciência sagrada da vida.

Da Ciência à Teologia

Como terminante consequência desse neoespiritualismo quântico, um Criador e Seu reino estão a um passo de serem redescobertos pela razão humana e demonstrados como fatos científicos.

Pelas janelas da mecânica quântica, os físicos místicos já prenunciam que a não-localidade é não só o império da consciência fenomênica, mas igualmente a dimensão onde se expressaria uma Consciência máxima, fonte de todas as outras, cuja identidade coincide com a de um suposto Criador, segundo os mesmos atributos determinados pelas antigas teologias. Por isso, Deepak Chopra, famoso médico e escritor da atualidade, afirma: “Para além do espaço e do tempo, encontra-se a fonte das possibilidades infinitas, um florescimento de vida, verdade, inteligência e realidade que não poderá jamais ser reduzido. É a promessa dos antigos visionários, e ela se confirma hoje”.

E, de fato, torna-se lícito admitir que, se consciência humana existe, interfere e produz a realidade física, ela necessariamente advirá de alguma fonte abstrata comum e superior. Fonte facilmente identificada como potentia, a realidade supradimensional concebida por Heisenberg, onde impera, absoluta, a ordem implícita, preconizada por David Bohm. Seguramente, esse é o caminho dedutivo que muitos físicos quânticos estão percorrendo para se compreender as mais profundas razões filosóficas da vida e aceitar, inclusive, a existência de Deus e a imortalidade da consciência.

As grandes doutrinas religiosas da Terra sedimentaram conhecimentos que aguardam da ciência explicações convincentes. Julgados inúteis devaneios do fideísmo humano e abandonados como traste do pensamento pelo materialismo científico, começam agora a ser admitidos como retratos genuínos de uma realidade que transcende a matéria. O imponderável, constatado como objeto real das modernas pesquisas no infinitamente pequeno, mostra-se a cada dia mais próximo da dimensão abstrata do espírito, corroborando os enunciados teológicos de todos os tempos. Acredita-se, desse modo, que não tardará o dia em que a mecânica quântica irá acolher em suas avançadas teorias os corolários religiosos, compreendendo-os como parte da mesma realidade subjacente que sustenta o domínio físico.

Desse modo, o idealismo científico far-se-á o perfeito elo entre o racionalismo e a fé. E terminará por comprovar que potentia, o império superior da ordem implícita, a não-localidade, fora do tempo e do espaço e o vazio quântico, além do cone de relativismo que nos prende, são expressões que encontram perfeita correspondência com o nirvana dos budistas, o mundo das ideias de Platão e o céu com que sonharam os primitivos cristãos.

Facilmente se elucidará que tudo que existe advém desse reino fundamental, cuja origem e organização somente poderão ser imputadas a um ingênito Criador. A dimensão em que respiramos será admitida como uma pálida e ilusória cópia dessa realidade maior, habilmente construída pela consciência, a fim de manifestar-se na realidade objetiva.

E assim religião e ciência, urdindo seus preceitos fundamentais, encontrar-se-ão no palco da imponderabilidade quântica, dando-se as mãos, em perfeita concórdia, na condução do homem às fronteiras do Infinito.

REFERÊNCIAS



1.Betto F. A obra do Artista. São Paulo: Ática; 1995.
2.Capra F. A Teia da Vida. 8ª ed. São Paulo: Cultrix; 2003.
3.Capra F. O Ponto de Mutação. 10ª ed. São Paulo: Cultrix; 1990.
4.Capra F. O Tao da Física. 3ª ed. São Paulo: Cultrix; 1987.
5.Chopra D. Conexão Saúde. São Paulo: Editora Best Seller; 1987.
6.Ferris T. O despertar na Via Láctea. 2a ed. Rio de Janeiro: Editora Campus; 1990.
7.Freire G. Arquitetura Cósmica. Belo Horizonte: Inede; 2006.
8.Gleiser M. A Dança do Universo. 2a ed. São Paulo: Companhia das Letras; 1997.
9.Gordon JS. Manifesto da Nova Medicina: Editora Campus; 1998.
10.Goswami A. O Médico Quântico. 1ª ed. São Paulo: Editora Cultrix; 2006.
11.Goswami A. A Física da Alma. 2ª ed. São Paulo: Editora Aleph; 2008.
12.Goswami A. A Janela Visionária. São Paulo: Cultrix; 2003.
13.Goswami A. Universo Autoconsciente. 4ª ed. Rio de Janeiro: Editora Rosa dos Tempos; 2001.
14.Greene B. O Universo Elegante. São Paulo: Companhia das Letras; 2001.
15.Lazlo E. Conexão Cósmica. Petrópolis, RJ: Editora Vozes; 1999.
16.McEvoy JP. Quantum Theory for Beginners. Cambridge, United Kingdom: Icon Books Ltd; 2006.
17.Toben, Bob e Wolf FA. Espaço-Tempo e Além. 9ª ed. São Paulo: Cultrix; 1993.
18.Ubaldi P. A Grande Síntese. 21a ed. Campos dos Goytacazes: Ed. Instituto Pietro Ubaldi; 2001.
19.Ubaldi P. Ascensões Humanas. 3a ed. Campos dos Goytacazes: Ed. Fundapu; 1983.
20.Ubaldi P. Deus e Universo. 3ª ed. Campos dos Goytacazes: FUNDÁPU; 1987.
21.Ubaldi P. O Sistema. 2ª ed. Campos dos Goytacazes: FUNDÁPU; 1984.
22.Zohar D. O Ser Quântico. São Paulo: Editora Best Selle





Fonte: http://www.gilsonfreire.med.br/index.php/gerais/fisica-quantica-e-espiritualidade